sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Cerrado vai virar mar?



Hoje, 1h40 da manhã foi um dia histórico para o país. Muitos podem não ter se dado conta do absurdo que aconteeu no Supremo Tribunal Federal. Depois de 14 horas de julgamento e falação intensa, o plenário da côrte constitucional do país (que não estava decidindo matéria constitucional, mas sim especial, de cunho eleitoral) empatou em 5 a 5. E como existe uma cadeira vaga no Tribunal, os ministros que tinham a obrigação de definir os rumos das eleições no país. Mas decidiram que estavam muito ocupados e com vários compromissos extra-tribunal e não poderiam retomar o julgamento no dia seguinte ou continuar a sessão até ter uma decisão que daria ao país uma segurança jurídica e afastaria o ranço da morosidade da justiça no Brasil.

Bem, a discussão jurídica vai longe. Mas como diria um ex-juiz, de futebol, a regra é clara. Para ter o recurso provido em plenário, o recorrente precisa da maioria dos votos. Ou seja, 6 capas-pretas. Como isso não aconteceu, o recurso não teve provimento, logo e lógico, que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral continuaria valendo, impedindo o candidato enquadrado na lei da ficha limpa a se candidatar. Mas isso precisava ser dito na sessão e as excelências não tiveram culhão pra falar isso.

Algumas horas se passaram, e ao meio dia de hoje Joaquim Roriz manobrou sabiamente e desistiu da campanha para colocar a esposa em seu lugar. O que isso significa? O objeto da ação do TSE não existe mais, logo, não existe ação. E se não existe ação, não existe mais a possibilidade do STF garantir que políticos impedidos de se candidatarem pelo TSE concorram no dia 3 de outubro. Em síntese, o STF, por pura falta de coragem, jogou o processo no ventilador.

Isso me faz lembrar da cidade maravilhosa. Que infelizmente teve um governador e uma governadora casados que arrebentaram com o estado, deixaram o pau comer solto e a violência crescer, além de colocarem milhões e milhões de reais no bolso durante seus mandatos, conforme versam dezenas de processos contra os pombinhos. O Rio de janeiro foi governado durante anos por um grupo político liderado pelos garotinhos que por um milagre foram condenados e afastados, mesmo que superficialmente, da vida pública.

Depois da falha do STF e da decisão do ex-governador e ex-candidato Joaquim Roriz em ser substituído pela esposa, o Distrito Federal corre o risco de estar rumo ao mesmo alçapão de embrólios políticos que o Rio de Janeiro sofreu durante anos. Acho que não será fácil essa eleição aqui no DF, não tenho idéia de quem poderá ganhar, mas espero que essa repetição digna de máfia italiana não se repita no meu estado, na minha cidade.

Agora, só podemos esperar o resultado das urnas e torcer para que os eleitores percebam o que pode acontecer conosco se a estratégia de Roriz for bem sucedida. Está mais do que na hora da campanha política dos adversários de Roriz, utilizarem da mesma sabedoria e levar informação e esclarecimento para a população dos perigos de um retorno de um grupo político completamente descomprometido com o bem estar da socidade e da seriedade do governo.

Eu, eleitor, gostaria muito de ver na reta final das campanhas, estratégias de conscientização do eleitorado em vez de promessas, ataques superficiais. Porque, no fim das contas, independente de quem estiver no Buriti, o povo é que vai sofrer as consequências de um ou de outro governo. Sinceramente, a gente merece muito mais do que ver Brasília, e todo o DF, nas mãos de pessoas que pensam com usam o nosso bolso pra encher os próprios bolsos, bolsas, meias e maletas.

Dia 3, muita gente pode não saber em quem votar, mas o mais importante é saber em quem não votar.

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