quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Experiência farmacológica







A porra do sol ainda nascia pela cortina e já tava se aliando ao resto de álcool que ainda existia no sangue, pra formar o ressacão. Sentiu o hálito digno de quem tinha mastigado um toco de cigarro a noite toda e não tava nem a fim de abrir o olho pra começar o dia. Sabia que o trabalho não ia ter nada de muito diferente a não ser que caísse a porra de um avião que aumentasse os defuntos pra ele bater o carimbo de se fodeu no fim do expediente.



Pensou em levantar quando ouviu um barulho estranho pra caralho que não era habitual dentro do cafofo pseudo-mofado.
“Uhhhhhhhhhhhhh”

Pulou da cama na mesma velocidade que o diabo foge da cruz e viu aquele monte de lençol embolado que se mexia sozinho e ainda gemia. Em pé, ali no canto da kit, esperava os neurônios entrarem em sincronia com a realidade, porque naquele momento estavam boiando naquela cena surreal, com trilha sonora do tempo das cavernas.Começou a respirar de novo, olhou praquele bando de pano deitado na cama e pensou se aquilo só poderia ser algum bicho bem grande que tinha entrado debaixo do lençol durante a noite. Olhou a garrafa de vinho da noite passada e já escalou o gargalo pra rachar o crânio do ser gemedor que tinha invadido o território sagrado. Foi andando para perto, enfiou a mão no lençol e puxou de uma vez o pano, quando viu aquele ser de outro planeta. A mina olhou pro Paulão, deu um sorriso meio amarelo e deu uma sacaneada.
“Acordou, Belo adormecido?”

Que porra que aquela mulher tava fazendo na cama, não fazia a mínima idéia. Olhou em volta e viu um vestido jogado, mas só tinha uma taça de vinho no chão. Tava sem camisa, mas de calça jeans. Lembrava da luta de vale tudo às 3h da manhã na televisão, mas tinha certeza que não tinha assistido ao lado de uma Deusa daquela. Só podia ser flashback de alguma droga muito pesada. Mas a porra do flashback falava. Então tava mais pra esquizofrenia aguda. Era só o que faltava. Começar a ver gente que não existe e a ouvir vozes.
“Mina, não leva a mal a pergunta não, mas que porra você ta fazendo aí deitada de sutiã e calcinha?”

E ela deu uma risada mixada com outro gemido.
“Não me faz rir, que dói mais, porra!.”


Como assim, dói? Agora fodeu tudo. Além de ter uma mulher deitada na cama de cacinha e sutiã, que ele não se lembrava de como ela tinha parado ali, a bicha ainda tinha algum tipo de dor que fazia urrar na delicadeza de um urso polar. A próxima surpresa ia ser uma poça de sangue no colchão, com certeza.
“Caralho mina, o que você tem? Que porra de dor é essa e porque diabo você ta na minha cama?”

Ela foi se desembrulhando dos lençóis que ainda restavam e saindo da posição fetal que a tinha deixado do tamanho de uma trouxa de roupa. Coxão, barriguinha, peitão. Tudo foi surgindo e Paulão não via o sangue, a seringa espetada no braço, o pulso cortado, nada. Nenhuma desgraça aparente, como de costume.
“Porra, velho. O que tinha no seu vinho? Você me ligou ontem e me chamou pra vir aqui beber com você. Não lembra que eu te dei meu telefone no boteco há umas 3 semanas atrás? Mas quando eu cheguei você tava chapado e como a porta tava aberta entrei e fiquei. Tava muito tarde já.”


Não! Só podia ser alguma sacanagem de alguém. Tinha uma gostosa na cama, que concordou em ir pra casa dele sabe-se lá que horas e ele não tinha comido? Com certeza era sacanagem.
“Uhhhhhhhhhhhhhhhhhh”


Aquela porra já tava começando a assustar. E Paulão resolveu soltar a garrafa que iria chapuletar na fuça do ser inanimado que estava debaixo das cobertas e foi acudir o corpão gemedor. Porque a cara dela não tava nenhum pouco feliz.
“Cara, você quer que eu ligue pra alguém? Aconteceu alguma coisa? Você tem mais algum tempo de vida?”

“Porra Paulão, não me faz rir, filho da puta. Aconteceu uma coisa sim. Você não me comeu e eu fiquei menstruada. E agora to morrendo de cólica.”

“Mina, me deixa entender essa porra, porque ainda to meio bêbado. Você gostosa desse jeito, veio até minha casa pra me dar, eu não te comi e agora você ta com cólica? Se toda mulher que eu não comesse ficasse com cólica os caras que vendem remédio iam me contratar como garoto propaganda. E por falar em remédio, porque você não toma um?”

Depois de algumas gargalhadas com soluços de dor e um mix de sorriso com cara de sofrimento medieval, ela conseguiu respirar e continuou conversando.
“Velho, esquece os detalhes. Só tô com uma puta cólica que não sinto há anos. Parece que tomei uma surra. Você tem algum remédio aí, porque eu não tenho nada.”

“O único remédio que tenho nessa joça é pra ressaca, baby. Serve?”

“Não, Paulão. Esse não adianta não.”

Ela ficou olhando pra ele, e por algum momento rolou uma hipnose. Depois de um silêncio de alguns segundos, Paulão não tava entendendo mais porra nenhuma. A única coisa que entendia bem era de ressaca. Pra isso tinha milhões de receitas, mas a que mais gostava era a de beber mais pra rebater. Mas pra cólica? Só chamando a ambulância.
 “Mas e aí, cara. O que vai ser? Você fica aí gemendo e eu vou trabalhar? Você vai sair comigo? A gente começa a se pegar e conserta o desencontro de ontem? Ou eu chamo a ambulância?”

“Você podia era ir na farmácia e comprar um remedinho pra mim!”

Nesse momento Paulão tinha certeza que alguma coisa tinha de errado na vida dele. Devia ser algum alinhamento astrológico, o apocalipse, carma de outras vidas, mas ainda acreditava mais na possibilidade de ser sacanagem de alguém. Parou pra analisar a cena. Uma mina, que ele não tinha comido, o acordou com barulho, e mandou ir na farmácia? Será que tinha batido a cabeça e esqueceu que tava casado com alguém? Puta que pariu.
“Mina, você quer que eu vá na farmácia comprar remédio pra você?”

“Remédio e absorvente!”, ela completou já morrendo de rir.

Agora fodeu de vez. A cena de entrar na farmácia e pedir um Modess e ser visto por qualquer amigo, vizinho, puta, mendigo, vira-lata, motorista de ônibus que sabia quem ele era podia causar certos problemas na vida dele. Ia falar pra mina que ela podia ficar ali quietinha enrolada nos panos porque ir na farmácia era intimidade demais. Mas ela deu de novo aquela porra de olhar. Não sabia o que era aquilo, mas funcionava bem pra caralho. Acabou analisando a situação e viu que se fosse na farmácia e fizesse o favor pra mocinha não ia fazer com que ela o odiasse o resto da vida e ainda podia render uma trepada futura.
“Qual remédio você quer?”


“Não sei, nunca tomo isso, tem tempo que não rola isso comigo.”

Tava começando a ficar complicado. Como é que ia chegar na farmácia sem o nome do remédio. Mas se tratando de farmácia, era só pedir o remédio para a chaga da Deusa-contorcionista que ia dar tudo certo. Desceu as escadas correndo para não se atrasar pro trabalho e atravessou a rua pra chegar na farmácia. Como era cedo, não tinha muita gente. Então não tinha ia ter maiores problemas com o carma periódico feminino que tinha caído no seu colo. Chegou no balcão e viu aquela mocinha que mais parecia um boneco de Playmobil atendendo e mandou ver.
“Oi, eu queria um remédio pra cólica, tem como você pegar um rapidinho aí pra mim?”

“Senhor, qual remédio o senhor quer?”

“Qualquer um. Um que seja pra cólica. Coisa de mulher, você sabe, né?

“Senhor, eu não posso indicar remédio. O senhor tem que saber qual o medicamento precisa.”


Não ia ser tão simples ajudar a beldade dolorida.
“Moça, olha bem pra minha cara. Você realmente acha que eu sei que porra de remédio serve pra cólica? Você acha que já fiquei menstruado alguma vez? O único sangue que sai daqui é quando alguém soca minha cara num boteco sujo desses por aí.”

“Senhor, preciso saber qual o medicamento. Eu não posso indicar porque a reação é diferente em cada pessoa.

Coçou a cabeça, pensou em enfiar goela abaixo da atendente aquele vibrador de massagem que estava a venda em cima do balcão, pra ela saber o que é uma reação diferente. Olhou pros lados e teve a idéia de perguntar pra qualquer mulher que estava por ali sobre o tal remédio milagroso. Mas não teve coragem. Pegou o telefone, pensou em ligar pra Sabrina. Mas nunca mais ia ter paz na vida se ela soubesse que estava na farmácia comprando remedinho pra uma mina. Ia ser muito sacaneado, então resolveu ir pra guerra e encarar pessoas estranhas.
“Oi moça, tudo bem? Tô precisando de uma força. Tenho que comprar um remédio pra cólica de mulher mas não sei o que comprar, qual você usa?

“Meu filho, na minha época a gente usava um chazinho de uma planta que nem lembro mais o nome, mas remédio mesmo eu não sei. Tem tempo que não preciso disso. Mas a plantinha é boa você pode ir até lá na feira na barraca da dona Ziza que ela tem um monte de ervas e plantas medicinais boas que eu uso pra todo o tipo de coisa porque eu tenho artrite e também tenho problema de pressão alta que piora o diabetes mas eu consigo controlar que é uma beleza com aqueles chazinhos das plantinhas da Ziza porque a gente é amiga há mais de 20 anos e o filho dela que também é bonitão assim igual você tambpem vende numa outra barraca lá na feira mas ele vende aquelas coisas de computador que o pessoal compra lá no Paraguai porque é mais barato mas mesmo assim é muito perigoso porque anda tendo muito assalto a Ziza me contou porque esse mundo ta ficando uma coisa de louco porque quando eu era mais jovem...”

“Tia, tia. Respira, senão a senhora vai ter um treco. E eu já tenho que cuidar de uma mulher com cólica. Não vai me dar um enfarto pra cuidar também.”


Olhou em volta, e procurou alguém com menos de 80 anos que não oferecesse perigo e que conseguisse falar de um assunto só sem fazer referência à Santa Ceia. E abordou uma mocinha que estava passando por perto. Ela já tava entregando a carteira pra ele quando fez a mesma pergunta. A mocinha aliviada por não ser um assaltante respondeu que usava um tal de Ponstan. Finalmente a porra do nome tinha surgido e ia poder levar o remédio pro corpo que ainda respirava na sua cama. Voltou na farmácia com a boca cheia. E ficou meio tenso porque o balcão já estava com mais gente do que antes. O perigo de encontrar alguém conhecido aumentava a cada momento.
“Mocinha, me dá uma caixa de Ponstan e um pacote de Modess.”

“Senhor, Ponstin está em falta e nós não vendemos absorvente. Pode comprar no supermercado”

Que porra de farmácia não vende coisas de farmácia? Modess no supermercado parecia algo meio surreal demais. E não ter a porra do remédio não estava nos planos de fazer uma ação rápida de emergência. Saiu correndo pro mercado, foi procurar o colchão íntimo para mocinhas íntimas deitadas no colchão. Viu aquela parede de absorventes na prateleira. Com abas, interno, noturno, mini, mega, super, médio, slim, ultra seco, com gel, com flocos. Parecia uma sorveteria pra bucetas. Não tinha a mínima idéia do que comprar até porque não conhecia as medidas, nem formato ideal para encaixar no meio das pernas da beldade à bolonhesa. Pegou um que já tinha visto na casa da Sabrina que devia servir. E também já tinha visto o comercial dele na televisão, então esse devia ser famoso. Pagou o bagulho e voltou na farmácia. Meteu a mão no balcão e olhou pro projeto de atendente.
“Seguinte, moça. Você queria que eu te desse a porra do nome do remédio, eu dei. Você não tem o bagulho. Agora se vira pra me arrumar um que sirva pra mesma coisa.”


Com os olhos estatelados, a pequena japinha farmacêutica se viu diante de um probleminha. Ou ela falava qual era o remédio ou quem ia precisar de remédio pra dores intensas era ela.
“O senhor quer Atroveran ou Buscopan?”

“Você não tá entendendo. Eu não quero nada, só quero sair dessa merda de farmácia. Me dá o mais forte e o que funciona melhor e rápido.”

Pegou tudo, disfarçou tudo no saco do mercado pra não dar bandeira com os vizinhos e foi pra casa. A hora já tava passando e sabia que ia chegar atrasado no trabalho e que já ia ter defunto esperando pra ser liberado pra comer grama pela raiz. Entrou em casa correndo e viu aquela silhueta de bunda coberta. A cama estava recheada. Se sentiu como um diabético olhando a porra de uma torta de chocolate. Uma porque a mina tava dormindo e com dor e outra porque tava atrasado pra caralho já. Colocou o remédio e o Modess no travesseiro e saiu. Enquanto andava pela rua, indo pro metrô pensou em tudo e viu que se tratando dele, aquilo devia ter sido o mais próximo do romantismo que pôde chegar. Não era uma rosa, mas tinha certeza que ia agradar uma mulher quando ela acordasse. Acendeu o Marlborão matinal e pensou se ela ainda estaria lá quando ele voltasse. Claro que não.

domingo, 8 de novembro de 2009


Tá bom. Quem conhece o Paulão? Ele está mais pra monstro do pântano do que pra príncipe encantado. Anos depois do último texto, resolvi escrever de novo e agora com um incentivo maior. Paulão tem uma nova amiga, bagaceira personificada, como diz a sua autora.


Sendo assim, tentamos de duas formas diferentes, cada qual com seu estilo, juntar os dois em uma história apenas. quem quiser conferir, é só rolar a telinha e procurar a história de Paulão e Ana nos blogs listados aqui ao lado.


Boa sorte para todos.....




Misto quente



A noite passava, a moçada que mora na rua arrumava os papelões e os jornais, os vira-latas já se aconchegavam atrás dos pontos de ônibus e em volta de seus donos vadios. Paulão tinha acabado de sair do Bar de um jeito não muito sóbrio, com o maço de cigarros esmigalhado dentro do bolso da calça. Parou na esquina, deu uma geral nos bolsos procurando um isqueiro, um fósforo e olhou em volta procurando uma revolução qualquer, que tivesse incendiando qualquer merda pra poder acender um cigarro. Não existia mais uma alma viva na rua pra pedir fogo e só existia um único cigarro dentro daquela chacina de tabaco que tinha acontecido no bolso da calça que tinha usado a semana inteira pra fatiar presunto no IML.
Paulão, velho de guerra, colocou o cigarro torto e amassado na boca e saiu vagando em busca do coquetel Molotov, parecia que só assim ia arrumar fogo naquele dia. Estava se sentindo dentro de um filme de velho oeste, mas não tinha feno voando, mas jornais eram descortinados pelos inquilinos das marquises da cidade. Paulão meteu a mão no bolso, olho no telefone, e viu que já passara da 1h da manhã. Não estava a fim de ir pra casa, então resolveu ligar pro bom e velho Mochila. Caixa Postal. Ligou pra Sabrina, Desligado. “Puta que pariu, pensou”. Começou a procurar um mendigo, um morador de rua, um traficante, uma puta, qualquer ser vivo que pudesse acender a merda do cigarro amassado antes que ele chegasse a casa. Mas pelo jeito que as coisas iam, tava bem difícil.
Virou a esquina e viu um tiozinho de 60 e poucos anos, com uma roupa da mesma idade e uma barba tricolor, digna de ir lavar em qualquer lava-jato automotivo. A garrafa de pinga em uma das mãos e qualquer coisa que não balançasse, na outra: parede, poste, vitrine, carro. Tudo que estivesse ao alcance da outra mão servia pra não enfiar a fuça no chão. Paulão viu a cena, teve um flashback de alguns momentos da vida e partiu pra cima do velhote.
O fedor da vida bêbada chegou antes. Era uma mistura de gasolina com mijo e fumaça com enxofre. Se o inferno tiver um cheiro, sabia que era exatamente aquele. “Cumpadi, me arruma um fogo aí?”. O velho parou, demorou uns 15 segundos até ajustar o foco e as idéias e respondeu: “Fogo? Só se for do inferno, meu filho. Cigaro faz mal.” E foi embora ignorando aquele momento de fissura. Paulão olhou pro velho, olhou pro cigarro amassado, deu uma coçada na cabeça e pensou se friccionasse a cabeça do velho no asfalto não conseguiria nenhuma faísca para acender o canceroso. Tava muito cansado pra arrumar confusão e o velho também não tinha feito nada demais, só bebido mais que ele.
E naquele momento que passou um carro. Desviou do velho profeta das trevas que se aventurava em ziguezague no meio da avenida e parou 100 metros da esquina onde Paulão estava. Pensou em sair correndo até o carro e pedir o isqueiro emprestado, mas ficou grilado de tomar um balaço ou de matar alguém do coração, então resolveu esperar e foi se aproximando devagar. Chegou mais perto do carro, mas ninguém saía daquela merda e a fissura só aumentava. Resolveu ver o que tava rolando e foi dar uma checada no panorama.
Não dava pra ver muita coisa. Mas que tinha alguém sendo feliz dentro do carro, tinha. Os vidros embaçados não deixavam dúvidas. A cena de amor urbana fez Paulão desistir do isqueiro com aquele carro e continuou andando pela calçada. A porta do carro abriu. Pensou que não rolava de pedir o fogo porque o casal poderia se assustar com a presença daquela figura surgindo do nada, quase embriagada e na alta madrugada. São combinações que geralmente assustam casais dentro de carros. Continuou andando, mas deu uma checada. A mina parecia que tinha saído de uma garrafinha de Yakult de tão amarrotado que tava o vestido. A cara vermelha denunciava a falta de prestobarba alheia e ausência de batom nos lábios. Mas não escondia a beleza. Paulão deu uma parada pra apreciar, ela olhou pra ele quando saiu do carro, teve o susto básico de um encontro surpresa e entrou no portão do prédio. Lá de dentro deu uma olhada pra trás, mas não deu muita moral. Parece que o esquema de dentro do carro estava muito interessante. Mais uma noite sem cigarro, sem mulher e provavelmente de ressaca.
Acordou com a cabeça bombando. Não por causa da ressaca, mas pela briga dos vizinhos porque o filho mais novo tinha quebrado alguma porra dentro de casa e ainda não estava pronto para o raio do colégio. Bateu na parede e deu um clássico bom dia: “Caralho, bando de filho da puta, dá pra calar a boca nessa merda?”. Já que estava acordado mesmo, resolveu sair mais cedo da toca úmida e de paredes finas pra tomar um café na padaria e seguir pro trampo. Na pia do banheiro, depois do banho clássico, viu que a escova de dente tinha a companhia de um cigarro retorcido da madrugada passada. Pegou o onco-bastão tacou atrás da orelha e saiu rumo à padaria para comer o mistão e o café com leite antes que aquela porra enchesse de famintos matutinos inveterados. Plugou o MP3 no ouvido e saiu cantarolando uma música do disco novo do Iggy Pop.
Indo pra padaria do Portuga, passou pela cenário da madrugada anterior. Olhou pro portão onde a Deusa tinha entrado e se lembrou da cena ridícula dele parado no meio da calçada, bebum feito um gambá e babando numa mina que tinha acabado de largar o namorado no carro e estava entrando em casa. Podia fácil arrumar uma confusão com camarada. Mais fácil ainda, a mina gritar e chamar a polícia, porque o pé grande retardado tava ali estático, sem falar nada e secando a gostosa no meio da madrugada. Deu uma risada e seguiu pra padoca.
Tava ali curtindo aquele som estranho, do velho e esquelético Iggy, e esperando o rango, quando sentiu um cheiro estranho. Não era suor, fumaça de churrasquinho ou qualquer outra merda que estava acostumado a sentir ali, naquela hora do dia. Olhou pra trás e antes de virar o pescoção viu aquela boca mexendo. Na mesma hora arrancou os fones do ouvido é só entendeu que o que ela tinha falado terminava em dia. “Ahn?”, perguntou. Ela deu um riso. “Não falei nada, só disse bom dia”. Será que o leite tava estragado, ou a vodka do dia anterior tava batizada?, pensou. A mina linda, do meio da rua, que morava dentro da garrafinha de Yakult, tava ali na mesma padaria de manhã cedo. Depois de alguns segundos de retardo e síndrome de babaca petrificado, respondeu com alto estilo. “Opa!”. Opa? Queria enfiar a cabeça naquele balde de leite quente que tava esquentando lá no Portuga.
Ela estava em pé no balcão quando o Mochila, um dos melhores amigos do Paulão, chegou e já soltou a pérola. “Fala, meu velho. Tá bem pra caralho, hein! Trazendo a mocinha pra tomar café no Portuga.”. Respirou fundo, procurou a faca mais próxima pra enfiar na garganta do Mochila. “Cala a boca, Mochila. A mina não tem nada a ver comigo não. O que você come de noite que já acorda falando merda?”. Naquele momento viu o canto de olho da mulher dos vestidos amassados se esticando pro papo cabeça de vento. “Porra Paulão. Se não tá contigo, então vou me apresentar. É de babar.”. Nesse momento pediu pro butijão de gás da padaria explodir ou alguma merda inusitada acontecer e matar todo mundo ali, porque a mina tinha ouvido a cagada e virou pra direção deles. Mochila murchou, fingiu que tinha recebido uma ligação na bosta do celular que sempre caía na caixa. “Tudo bem? Já que vocês querem me conhecer, sou a Ana”. Esticou a mão. Paulão olhou pro Mochila e pensou em pelo menos 10 formas diferentes de dissecar um corpo antes de segurar a mão da Ana. “E aí Ana, beleza? O bicho ali é meio retardado, mas não liga não. Ele não fala as coisas por mal não, eu sou o Paulão.” Ela odiava apelidos, mas naquele momento não podia fazer nenhuma gracinha, porque já tinha sido um pouco ousada de sair em busca de conhecer aquela figura inusitada que tinha visto na madrugada anterior. Deu um sorriso amarelado e mandou uma pesada: “Paulão? Por quê homens têm mania de colocar apelido. Eu não gosto de Paulão. Prefiro Paulo”.“Pô, mina. Legal que tu prefere Paulo. Por mim, pode me chamar até de Clotilde?. Manda qualquer nome aí que tá valendo.” Ela deu uma risada e disse “Ok, Paulo-Paulão. Eu sou a Ana, Ana Bolena”.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pá-Pum


Frases rápidas para mim mesmo:

Filha da putice - O problema não é com você, é comigo. (claro, né? Se fosse comigo tava resolvido)

Lápide - Cortou. Fade out / Não deu pra ficar, mas a gente se encontra por aí.

Alegria - Papi, te amo. (lê falando)

Credulidade - Por que Deus fez isso comigo?

Razão - Deus não fez nada, por isso aconteceu isso com você.

Eu - Deus? Pára, né?

Sofrimento - Tem um trocado pra eu inteirar o remédio da minha filha, patrão?

Dor - Feridas que não fecham, só criam casquinha.

Futuro - Família.

Filhos - Filhas.

Música - Blues da madrugada. Nada melhor.

Lugar incomum - Bolsa de puta.

Putaria - Cansei tem tempo.

Vida - Curta pra cacete e curta demais.

Viagem - A próxima.

Mulher feia - Marisa

Homem feio - Sei lá. E não me importo nem um pouco.

Mentira - Castelo de areia.

Filmes - Outra dimensão

Genuflexório - Coisa inútil. E de nome escroto.

Inglês - What the fuck.

Legado - Não quero. Quero viver agora.

Amor - Maluzona

Cabeça - Dói.

Agora - Hora de dormir.




Eu, o Belchior e otras cositas más.




Depois de um fim de semana fechado num escritório terminando um trabalho cansativo, hoje estou aqui na minha cama, sem dormir. Acordei meio dia e ainda dormi parte da tarde de hoje. Sinal que realmente estava cansado e que não sou mais o mesmo. Acho que é a idade que chega e não alivia.


Acabei de achar um site que é uma rede de livrarias e sebos, chamado estante virtual. Um tanto quanto interessante se a proposta realmente funcionar. Pelo jeito, funciona. Encontrei um livro do fante com a tradução do Leminski que nunca achava em lugar nenhum. Viva a tecnologia. Mas e o charme de entrar em sebos e ficar garimpando coisas e descobrindo outras? Acho que o charme das coisas vai desaparecendo mesmo com o tempo. Conseguiram matar até o charme de procurar livro? Agora é só digitar o nome que pum.... lá está o raios do livro. Mete o número do cartão de crédito e compra e pronto, acabou a missão. Estranho né?


o que será das próximas gerações? A evolução é uma coisa normal, eu sei. Não sou nada antiquado e adoro as facilidades do dia a dia. Amo meu iPhone e TV via satélite. Mas algumas coisas têm que ter seu charme. Até ser corno não tem mais o charme que tinha antes. Antes tinha que contratar detetive que demorava séculos pra descobrir um caso extra-conjugal, tirar fotos comprometedoras e tudo o que está relacionado nessa baixaria familiar. Mas hoje, com uma ligação isso tá resolvido. em 10 minutos se sabe onde a pessoa está e por onde ela passou o dia inteiro. E o mais escroto de tudo, que é possível receber as coordenadas por email. Parece piada. Trepada monitorada por satélite.


Bem, como em tudo, essa modernidade toda tem as coisas boas e as ruins, normal. Mas ainda fico preocupado com a facilidade extrema e a rapidez de resultados. Tenho certeza que na geração www teremos muito mais pessoas com crises de ansiedade, agoniadas e stressadas, porque hoje a informação chega rápido demais, tudo gira muito rápido e não dá nem tempo de ficar velho pra já aparecer algo que tome o lugar. Informação, novidades, estatísticas, notícias, novidades tecnológicas, música, clipes, filmes, protestos, blogs, fotos, redes comunitárias, tudo é muito e tudo é rápido. Quase impossível de acompanhar.


É. Acho que nesse momento bateu a inveja e a compreensão do rapaz latinoamericano. Que mal tem se isolar no cú do mundo do Uruguai? E me vem uma repórter lá da China pra achar o cara? O quê raios eu tenho a ver com a vida dele? A necessidade de novidade de satisfazer o público acaba estrapolando limites e fazendo com que as pessoas percam a noção do que é certo, do que é errado. É certo caçar algué em outro país apenas pra colocar no último bloco de uma revista eletrônica de quinta categoria?


A entrevista foi um fiasco porque o cara simplesmente deu uma de vaselina e não responde nada que queriam saber. Mandou muito bem. Mas me faz pensar o que as pessoas são capazes de fazer para atingir os objetivos. E pra quê servem esse objetivos? Dar um furo de repotagem significa invadir a privacidade de uma pessoa a ponto de ir na casa dela? Não bastava notociar que o cara tava no Uruguai e pronto? Tem mesmo que ir lá, bater à porta, deixar a câmera ligada do lado de fora esperando a porta abrir pra tentar fazer uma imagem flagrante? Isso deixou de ser jornalismo há muuuuito tempo. Passou a ser uma busca pessoal, passou a ser uma encomenda de um produto para atrair público. Ou seja: um produto publicitário.


Mas então. Do que somos capazes para atingir nossos objetivos? E quais são esses objetivos? Vale realmente a pena passarmos horas longe das pessoas que gostamos, sacrificando nossa saúde e bem estar para ganhar dinheiro? Ou será que vale a pena mentir, para garantir um status quo e quando apaga a luz, realmente revelar quem somos? Tô cansade de ver gente pregando de santo em horário comercial e se transformar em filho da puta quando não tem ninguém olhando. E tem gente pra caralho assim. Afirmo que a maioria das pessoas, diga-se de passagem.


Não tô dizendo que sou santo e que não faço nada errado. Já fiz coisa errada pra cacete, mas procuro aprender. Hoje não sou capaz de fazer algo que atrapalhe ou que interfira a vida de alguém. De coisas simples como ligar depois das dez a tratar bem as pessoas que considero (e até as que não considero muito) porque tenho certeza que é assim que eu gostaria de ser tratado.


Hoje estamos enfiados até o tampo da cabeça num mundo de mentira. Nego mente pra tudo. Desde a política até maridos e mulheres. Esse fim de semana pude presenciar a fraude em uma eleição dentro de um evento social, onde não tinha dinheiro envolvido. Imagina se tivesse. Se é pra levar vantagem, hoje vale tudo. E eu não quero levar vantagem em nada. Só quero ficar no meu canto com as coisas e pessoas que gosto, sem ninguém me encher o saco. Mentir pra manter a carinha de anjo e ser uma puta quando todo mundo vira as costas. Mentir dizendo que se proeocupa como próximo e não fazer absolutamente nada para ajudar nenhuma alma viva. Mentir pros filhos dando lição de moral e socar a cara da mãe quando chega bêbado em casa. Se eu ficar enumerando exemplos aqui, só saio daqui de manhã cedo.


Sei que estou cansado disso. Estou cansado de gente que mente, de gente falsa, de gente que não consegue olhar pra lugar nenhum além do seu próprio rabo. Não sei se isso é apenas uma fase, mas só sei que estou nela. E pra variar quando penso nisso fico de mal-humor, então, como eu não gosto de mentir, é melhor não me encher o saco ou não vir de firulinha pra cima de mim, porque o sistema aqui é meio bruto, curto e grosso. Mas continuo com inveja do Belchior.







quinta-feira, 18 de junho de 2009

AOS MEUS COLEGAS




Mensagem postada aos colegas de Faculdade......


Pessoas e não pessoas.

Esse email deve ser um pouco longo. Não tem nada a ver com a festa ou com encontros, mas com devaneios meus do meio da madrugada que gostaria de dividir com alguém, depois das duas Neosaldinas e algum outro treco pra enxaqueca (aquilo tem cafeína e não consigo dormir). Então, sinto muito. Vou começar a escrever.

Como eu não tô fazendo nada agora de madrugada.... queria perguntar o que vocês acharam da decisão do Supremo em "ripar" a necessidade de diploma de jornalista para exercer a profissão....???

Eu, na boa, e no alto da falta de debate com qualquer outro ser humano, nos meus 40m², acho que é muito legal pra informação de um modo geral. É claro que sempre haverá necessidade de gente técnica, com academia para organizar as coisas. Mas o que eu realmente não entendi foi a comoção geral e inflamada do tipo: estão tirando o meu diploma, estão acabando com a profissão, isso é um absurdo, etc e tal. Na boa, gente. Será que eu que ando viajando demais, tomando muito suco de soja e tô achando isso legal porque abre mais espaço para que mais pessoas possam contribuir com informação e com experiência de vida na comunicação?

Assim. Deixa tentar explicar. Não sei se alguém gosta da Revista Trip. Eu amo de paixão, só não gosto muito daquelas meninas que saem semi-nuas. Mas fazer o quê?.. hehe... Voltando ao foco. A Trip é uma revista muito, mas muito diversificada. De ensaios sensuais a matérias com Sadhus indianos, tem de tudo. Acompanho há anos cada edição e me surpreendi muito quando há sei lá quanto tempo o Luiz Mendes começou a escrever a sua coluna.

Momento da Deixa para vocês perguntarem: Quem diabos é Luiz Mendes?.....

TEMPO PARA PROCURAR NO GOOGLE
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Enfim, o Luiz é um cara que pegou 30 anos de cana, cumpriu sei lá quantos e saiu da beirada do inferno de volta pras ruas. Mas diferente de como a gente está acostumado a ver todo dia, o cara saiu empregado como colunista da Trip. Melhor. Ele antes de sair já escrevia pra revista. E diga-se de passagem, muito bem.

Tá bom. Eu sei que parece história de filme do Arriaga, mas é verdade. O cara começou a ler na cadeia e passou 20 e tantos anos lendo e se transformando, enquanto o tempo criava rugas na cara do latrocida-cult. Mas olha só: será que tô me fazendo entender? Qual o problema se uma pessoa que não é jornalista poder contribuir com todos nós e contar suas experiências, seu modo de ver a vida, seu jeito de escrever. Sim, ele não tem padrão. Não tem técnica jornalística. Mas e daí? É informação, é reflexão. Ou será que não é por aí? Será que é melhor a gente mandar o Caco Barcellos contar pra gente o que rola em Bangú ou assistir Carandirú? Creio que não. A mensagem não vem igual, não tem "punch". É como ir pra um show do Sepultura e ouvir Bon Jovi. Tudo é rock, mas a pegada é bem diferente.

Podia falar e meter o malho no formato do jornalismo hoje. Do hard new mesmo. Aquel formato boa noite, matéria, off, sonora, ouve um lado, ouve outro lado,
passagem, boa noite, até amanhã. Alguém vai discordar que isso é chato pra cacete? Acho que não. Ando fazendo isso pros gringos e vou te contar. É muito chato. Mas o problema é que o foco não é esse. Bem, eu acho que não é. Imagino que até possa existir uma mudança no futuro por conta de novas idéias que poderão surgir. Mas acho que tá consolidado demais pra mudar. O que é bacana é a possibilidade que outras coisas sejam criadas, formas sejam resgatadas. Coisas bacanas como a pesquisa a fundo, a vivência antes de colocar alguma coisa no papel. Hunter Thompson, Kerouac (em homenagem ao Manoel). Tá bom! Não precisa ser tão Gonzo, mas acho importante essa vontade de enfiar a cabeça no balde pra ver quanto tempo dá pra ficar sem respirar, como esses caras tinham, do que ouvir de alguém que fez isso e depois sair contando pra todo mundo.

Então. Não consigo ver problema nessa abertura de possibilidades de que pessoas diversas sejam parte ativa numa história, que possam falar do que sabem com propriedade, dividir o que viram, o que sofreram, enfim: informar. A parte da técnica, da forma, vai sempre ficar a cargo de jornalistas sim. Editores, chefes de redação e repórteres nunca serão dispensáveis, pois existe um sistema sólido que necessita de toda essa organização editorial e que é importante pra caramba para informar o povo. Mas não dá pra limitar a isso, né?

Que mal tem se eu quiser escrever uma matéria, aliás, um texto sobre o Haiti? Eu não sou repórter. Não sou jornalista. Mas botei meu rabo na reta por 15 dias lá no paraíso da Malária pra filmar um documentário. Será que não seria legal contar, em uma oportunidade hipotética, que andar dentro de um blindado de madrugada com colete à prova de bala e capacete não é nada legal? E falar que os militares brasileiros, aqueles torturadores e algozes do Caetano do Chico e do Gil, são pessoas simplesmente fantásticas que estão fazendo um trabalho estupendo.... (estupendo??????.....intelectual demais pra mim)...... um trabalho DO CARALHO lá com o povo haitiano, principalmente com as crianças. Quem sabia que não se dá um tiro no Haiti há mais de um ano? E ainda bem que permaneceu assim enquanto eu estava lá, diga-se de passagem.

Então, vejo a bagaça (tem que ter uma giriazinha pra quebrar a seriedade) da seguinte forma: podíamos nos preocupar muito menos com a forma, com a técnica e começar a ver a informação de outra perspectiva. Não olhar apenas para o dia a dia. Ninguém quer sentar na cadeira do William Bonner. Não vão colocar o Peréio para definir editorial, para apurar matérias, noticiar fatos. Isso é pra gente que sabe, que estudou como fazer isso da melhor forma. Mas e se um caderno especial sobre cinema e teatro undergroung fosse editado? Será que o cara não seria a melhor opção do que a editora que nunca colocou o pé na Vila Madalena ou no Conic? O jornalismo é mais que o jornalista. Jornalismo deve ser mais comprometido com a informação, com a história. E menos com suas fontes, com quem está informando.

Nisso sem falar na velocidade do mundo de hoje né? Não dá pra gente chamar de jornalismo só o que sai no jornal, na TV, no rádio e em sites oficiais de notícias. Muitos devem ter visto que no Irã a moçada travou a imprensa, mas não adiantou porque a tecnologia e a vontade de informar da população foi além. Venho acompanhando pelo Twitter e alguns outros sites a evolução das coisas por lá. Impressionante o que a gente não sabe pela mídia. É muito legal saber que existem pessoas que apesar de serem "comuns" estão comprometidas com a comunicação, querem informar, estão cansadas que as coloquem num molde de gesso. E para mudar isso, chutam o pau da barraca e tacam sal no chá do Aiatolá, mesmo correndo o risco de tomar um balaço.

Aí alguém vai querer me convencer que não é legal criar um precedente para que qualquer um que possa e que tenha algo para informar, tenha esse direito. Realmente não consigo ver uma coisa ruim, filosoficamente falando. Sem entrar na questão de corporativismo, mercado, salários, etc e tal. Porque isso é muito mais uma briga política de sindicatos e associações que não server pra muita coisa além de fazer lobby pra eles mesmos. Quem é bom, quem é fodão sempre vai estar com seu lugar garantido, com diploma ou não, e não precisa de manifestação na esplanada, liderada por alguém em cima de um trio elétrico que mais lembra uma Micareta.

Enfim, acho que é isso. Não tô defendendo nada, não tô dizendo o que é certo ou o que errado, até porque eu não sei o que é certo nem na hora que vou fazer meu prato do almoço, mas só o que eu acho. Uma visão um tanto quanto particular, mas que faz algum sentido, pelo menos pra mim: alguém que gosta muito de informação e detesta hipocrisia..... e não tem diploma de jornalista.

Beijos...

Edu

Trilha sonora da madrugada:
Concha Buika, Adele, Beirut e Tom Waits....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CENA 1, TAKE 27


Estou aqui. Acabei de acordar. Essas coisas que o organismo não explica. COnsegui dormir às 11h da noite e acordei as três parecendo ter tomado 500g de pó de guaraná. Fudeu a noite. Amanhã vai ser de doer.

Então resolvi me distrair aqui e falar um pouco sobre alguma coisa. Literatura? Não tenho lido tanto quanto gostaria. Não vou me arriscar. Filmes? Pode ser uma saída. Deixa ver. Assisti um com o fodão do Forest Whitaker (é assim?). O filme chama-se "Powder Blue". Não sei o nome em portugês. Mas quando chegar nas telonas, pode crer que vale a pena dar uma conferida, porque o elenco é simplesmente muito bom. Fazem parte Ray Liota e Jessica Biel. Filminho bem construído e bem montado. Mas pra falar em montagem cumpadi, vamos lá tirar o chapéu para o monstro mexicano dos roteiros.



Guillermo Arriaga é o cara que escreveu Babel, 21 gramas e Amores Brutos. De saída o cara me mandou uma trilogia sobre relacionamentos mais fantástica já escrita até hoje. Depois escreve um treco muito legal que o Tommy Lee Jones dirige, "Os Três enterros de Melquiades Estrada". E agora o filho da puta ataca de diretor também, além de escrever. O filme começa daquele jeitão dele e você pensa. Tá bom, mais um filme daqueles com histórias que vão se cruzar no meio do caminho. Sim, elas se cruzam, mas não do jeito que a gente imagina. Simplesmente do caralho. Recomendo. o filmete chamado "The Burning Plain".

Acho que é isso. Vou tentar dormir. com essas duas boas lembranças da semana passada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

POBRE MENINA RICA




Essa aí em cima é Lucy Gordon. Bonita, cara de boneca. Defunta. O namorado a encontrou enforcada no apartamento, que diga-se de passagem ele estava dentro. Isso que é sono pesado! Aí eu me pergunto de forma mecânica. Que raios fez a mocinha se matar? E no mesmo instante eu mesmo me respondo: não me interessa. Quer dizer. Não interessa a ninguém.

É muito fácil neguinho pegar e ficar falando que a mocinha era rica, tinha tudo que muita gente sonha, que era (quase) perfeita, e mais um monte de baboseiras. O ser humano é realmente muito, mas muito escroto. Porra, cada um tem sua vida, seus problemas, seus motivos. Se a mulher era rica, vivia no estrlato e bonita ela não pode comparar a vida dela com um camarada que mora no Sudão, doente e com fome. Pra ela não faz a mínima diferença se ela tem tudo que ele sonhou. É tudo uma questão de proporcionalidade. Matemática pura.

Eu tenho um carro. Gasto 450 paus só com gasolina. Esses 450 paus são muito mais que um pai de família tem pra sustentar ele, a mulher, e sei lá quantos filhos. Da mesma forma, como eu ando com meu carro, tem gente que anda com carros mais caros, de helicóptero, de jatinho. Se o meu problema hoje é pensar em como arrumar dinheiro pra trocar de apartamento, tem gente que nem sonha em ter um apartamento ainda mais em trocá-lo. Mas o meu problema é trocar o meu apartamento porque preciso de mais espaço para seguir com meus planos e não dá para doar minha casa para caridade. Não que eu ignore os problemas alheios, pelo contrário. Me comovo pra caralho com o que rola por aí. Mas infelizmente não é problema meu, porque se fosse eu dava um jeito de resolver.

Sendo assim, respeito as pessoas que aceleram a subida, e desejo sorte seja lá no que for acontecer com a mocinha dos olhos azuis a partir de agora.

E tudo não seria bem mais fácil se todo mundo se respeitasse e parasse de entrar pela porta dos fundos da vida alheia?

Vai nessa, menina Lucy sorridente. Uma pena, mas fazer o quê?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

JULIETTE





E para quem gosta, Juliette no Multishow na próxima segunda 22h30.
Pra quem não entendeu nada, é só ver um clipe da mocinha bem aqui!

FALE COM A MINHA MÃO




Como se escreve com a mão dormente?
o sangue foge
os dedos não obedecem
anarquia orgânica
prendo a ciruculação
TUDO PÁRA...
e daí? Pra quê tudo isso
Se depois, tudo volta como era antes

Dia de estréia





Dias de estréias são deveras interessantes.

Sessões premieres de filmes atraem um bando de gente que não sabe o que está assistindo mas está lá porque tem um monte de câmera fotográfica e repórteres da Caras.


A primeira ressaca é inesquecível, assim como o primeiro pé na bunda. Mas o que seria do primeiro pé na bunda se não fosse a primeira paixão? Não teria graça nenhuma. E esse lance de paixão só surgiu porque um dia rolou o primeiro beijo, melecado, molhado, nojento pra cacete.

Os meninos têm primeiras vezes um tanto quanto estranhas: primeiro soco na boca (levado e dado), primeiro problema com a polícia, primeiro carro roubado e a famosa apresentação ao baixo meretrício, apesar desse último estar diminuindo freneticamente.


Já as meninas têm sua primeira paixão pelo professor, a primeira menstruação que geralmente cai no dia da educação física, do clube ou da roupa branca, a primeira decepção amorosa e a primeira melhor amiga. Primeira das 2543 melhores amigas que elas terão por toda a vida.


Mas se estamos falando em estréas vamos ao que realmente interessa. Minha primeira vez foi em 2003, se não me falha a memória. Lá se vão seis anos. Há mais de três que não escrevo regularmente, mas nunca parei de pensar nisso. Então vamos lá. Retirar a poeira dos dedos e torcer pra pegar uma tendinite aguda.
Hoje reinauguro, em outro endereço, meu blog. Tudo novo. Só eu, mais velho, mais ranzinza e com mais dor na coluna que sou o mesmo. Quer dizer, com uns 10 kg a mais.

Isso aqui vai ser como se fosse uma primeira vez, mas sem a frescura e nem o medinho de saber se vai ser bom pra você. Porque como era no aposentado "Sem Firula", não vou estar nem aí pra o que você acha, mas sim para o que eu penso. E para marcar a estréia desse que vos fala, nada melhor que a célebre frase:

Se não gostou, entra na fila cumpadi!