segunda-feira, 18 de abril de 2011

Libera ou não libera?







Maconha. Quem nunca fumou? Minha vó talvez. Mas quem é a favor do consumo indiscriminado da Maconha, da droga entorpecente? Alguns, mas os argumentos postos até hoje não convencem muito. Diz-se que se liberar a maconha teremos menos violência por causa do tráfico de drogas. Isso é papo furado, porque para isso teríamos (o Brasil) que liberar todas as drogas no menu dos traficantes, o que é simplesmente um absurdo, porque ia ser lindo ver Crack ser vendido na farmácia. E ainda assim, num mundo imaginário de Alice, partindo dessa idéia de liberou geral para acabar com o traficante, pode ter certeza que o tráfico de drogas simplesmente iria se transformar em grupos de seqüestradores, de assaltantes de banco, porque sem dinheiro os grupos criminosos não iriam ficar. Dessa forma, a repressão e ações de inteligência e combate ao crime (incluindo aqui o tráfico de drogas) são sim as melhores opções para minimizar a criminalidade no país. Nisso é claro sem entrar na seara do desenvolvimento social por meio da educação, do acesso à saúde, ao emprego, à dignidade. Porque isso sim tira toda uma geração do envolvimento com o crime. 


Mas vamos lá. Temos o direito de escolher o que fazemos com a gente mesmo, pois somos uma sociedade evoluída e democratizada. É quase uma piada ouvir/ler isso. Nós não conseguimos fazer com que as crianças parem de se prostituir, que as pessoas parem de beber e dirigir, ou que simplesmente  respeitem faixas de pedestres no meio da rua. Esse é o povo responsável e sábio que conseguirá medir o que é melhor na questão da droga, do entorpecente? Partindo para o direito, lembro nas minhas aulas na faculdade que o direito individual é intocável, mas não é absoluto. Nenhum direito é absoluto. Então como é que vamos fazer para que o meu vizinho fume maconha sem me incomodar ou sem incomodar as crianças que vivem no prédio? Assim como o cigarro, fumar maconha traz outros problemas. O fumante passivo, a delimitação de lugares permitidos e proibidos, a saúde pública congestionada. O país não consegue erradicar a dengue porque as pessoas são irresponsáveis e não instruídas para cuidar de seus próprios quintais e também gastamos milhões por ano em tratamento para que fumantes deixem de fumar e tratamentos para o câncer. Como será que o país pretende tratar os doentes da maconha? E olha que nem levanto aqui a questão do vício, mas sim de doenças pulmonares, do sistema respiratório em geral, bucais, ansiedade crônica e outras. 


Seguindo a linha de raciocínio das drogas já liberadas, temos também o álcool. Ele vicia, faz mal para a saúde e mata. Mas é liberado e tem comercial com bundas enormes na TV. Porém existem regulamentações para o seu uso em determinadas situações. O DETRAN por exemplo não é amigo dos que bebem e dirigem. Como será essa regulação para o uso da maconha? Maconheiro vai poder fazer e deixar de fazer o quê? E quem vai fiscalizar? E se fiscalizar, qual será a punição? Opa. Punição? Como assim? Não se pune usuários de drogas no país. A lei 11.343/06 já não pune o usuário de drogas. Ninguém vai preso por fumar, guardar em casa ou plantar maconha, se for para uso pessoal. Existem sim sanções que de "reinserção social", além do tapa na orelha do PM, mas esse é outro problema. São elas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.


 - Mas isso é um absurdo. Eu tenho direito de fazer o que eu quero, de fumar o que eu bem entender.
 - Cumpadi. Eu também gostaria de andar de moto sem capacete porque morro de calor com aquilo. A cabeça é minha e se eu transformar ela em geléia de mocotó o problema é meu. Mas não posso. E se eu fizer isso, volto pra aulinha pra descobrir quais os males de enfiar a cabeça no poste. Isso é educação. Feita de trás pra frente, mas é. Enquanto não temos a educação na base suficientemente esclarecedora e ao alcance de todos, a forma que ela é feita é assim e surte algum efeito, na maioria das vezes. 


Então depois que liberarmos a maconha e colocarmos limite em seu uso para algumas atividades, começaremos a punir os usuários? Isso não seria o que chamam de retrocesso legislativo?


Ok, mas a liberação da maconha vai ser supervisionada, bem fiscalizada? Se sim, quem vai fazer isso? Não conseguimos nem fiscalizar transporte pirata nas grandes cidades ou a qualidade de alimentos básicos como carnes em matadouros clandestinos. Será que realmente o Brasil está pronto para uma fiscalização de uma plantinha que nasce em qualquer lugar? Digamos que sim, que o Brasil é uma democracia exemplar e que todos os serviços funcionam perfeitamente e eu plante maconha para o meu consumo. Qual é o limite do meu consumo? Eu posso fumar 1kg de maconha por dia ou só poderei plantar 5 pés que me darão aí 100g por semana? Mas eu gosto muito de maconha, preciso e quero fumar mais. Então eu vou comprar de um amigo que fuma menos. Ou de um amigo de um amigo que produz mais do que o limite, mas ninguém sabe. Esse cenário me parece já um pouco conhecido. 


 - Não Eduardo, mas a idéia é plantar maconha à vontade, pra que ninguém precise comprar, para que não gere comércio ou que o governo fiscalize esse comércio. 
 - Ah. Agora entendi. Vamos ser fiscalizados da mesma forma que os postos de gasolina são para não venderem combustíveis adulterados, certo?


Será que não está na hora das pessoas pararem e pensar um pouquinho mais sobre o que realmente importa pra sociedade? Defender direitos, clamar por mudanças a qualquer custo não me parece muito inteligente. Mas apenas um modo de fazer valer um ponto de vista. Antes de tudo será que não era bom lembrar da quantidade de gente que morre fazendo aborto clandestino, que vegeta em cima de uma cama, que quer doar órgãos em vida? Ou então lembrar da quantidade de pessoas que já morreu por causa de drogas, as famílias que já foram despedaçadas por conta desse uso recreativo que pode virar um hábito e se transformar num vício infernal? 


Definitivamente eu não vejo motivo para que eu viva em um lugar em que as drogas sejam liberadas. Eu não consigo parar de fumar. Será que é por causa dos comerciais do Hollywood que eu adorava, ou por conta dos cigarrinhos pan de chocolate ou a culpa é da sociedade que achava aquilo bonito e as pessoas faziam indiscriminadamente? Eu não sei, mas hoje eu tenho filhos, e sim, eu não quero que eles tenham o direito de escolha para algo que não não irá fazer nenhum bem para eles. E eles, e nem os médicos, sabem o que isso vai acarretar na saúde deles no futuro. Não existem estudos falando sobre o impacto na saúde a longo prazo e no comportamento da sociedade. Será que não seriam coisas mais importantes de fazer antes da gritaria sobre direitos, sobre reformas, sobre política, sobre democracia? Os usuários não irão diminuir, pelo contrário, irão aumentar vertiginosamente. Dessa forma o que vai acontecer com essas pessoas que usarão maconha freqüentemente?


Muitos dizem que uma sociedade democratizada e que é educada está pronta para fazer as suas escolhas e que a intervenção do estado é desnecessária. Concordo. Mas se estamos falando de educação, então vamos prover primeiro a educação para toda uma geração na base e depois deixar com que elas façam suas escolhas. Ah, e vale dizer que não só a geração das zonas sul, dos jardins, dos lagos, dos alphavilles, das faculdades particulares, dos quadros partidários e militantes ditos pensantes. Dar o tapa de cima pra baixo é fácil demais. Todos nós adoramos bradar, falar, espernear. Enchemos a boca pra vomitar por nossos direitos, mas fazemos isso lá de cima da pirâmide, porque isso é bom pro nosso ego, porque somos os responsáveis por mudar a realidade do país (em que a gente, classes média e alta prepotentes, vive).

Realidade do MEU umbigo, da MINHA vontade, que EU acho que é melhor para todos. Realidade construída nos condomínios fechados, nos bancos imundos do Congresso ou nas bocas de dirigentes políticos tidos como profetas que conseguem seguidores militantes por serem tão articulados quanto um pastos evangélico que consegue tirar dinheiro de um desempregado para o dízimo. Essa a idéia que a maconha seja liberada surge, na visão dos defensores da massa e dos direitos a qualquer custo, como muito indispensável para a empregada doméstica, para o pedreiro, para o lixeiro, para o desempregado. Afinal eles são a massa, os trabalhadores, o objeto de luta das classes intelectuais ditas sociais do país. Mas qual o motivo dessa conquista ser importante para essas pessoas? Porque os filhos do povo agora não precisarão ir na boca para comprar maconha, pois eles vão ter um vasinho em casa, decorando a mesa de jantar? Será que isso é o que realmente existe de mais importante pra essas pessoas? Será que a sociedade realmente precisa de uma discussão dessas. Com uma breve conversa com um ex-professor, daqueles que realmente fazem o que gostam e sabe o que faz, surgiu uma colocação brilhante e já esperada por tratar de quem se trata: "Fica a questão: num contexto em que se questiona o consumo de uma série de produtos e em que, inclusive, cresce a pressão para uma ampla gama de produtos tenha sua circulação restringida, vale a pena a luta, mesmo considerando o direito individual, pela legalização da maconha?".





sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Cerrado vai virar mar?



Hoje, 1h40 da manhã foi um dia histórico para o país. Muitos podem não ter se dado conta do absurdo que aconteeu no Supremo Tribunal Federal. Depois de 14 horas de julgamento e falação intensa, o plenário da côrte constitucional do país (que não estava decidindo matéria constitucional, mas sim especial, de cunho eleitoral) empatou em 5 a 5. E como existe uma cadeira vaga no Tribunal, os ministros que tinham a obrigação de definir os rumos das eleições no país. Mas decidiram que estavam muito ocupados e com vários compromissos extra-tribunal e não poderiam retomar o julgamento no dia seguinte ou continuar a sessão até ter uma decisão que daria ao país uma segurança jurídica e afastaria o ranço da morosidade da justiça no Brasil.

Bem, a discussão jurídica vai longe. Mas como diria um ex-juiz, de futebol, a regra é clara. Para ter o recurso provido em plenário, o recorrente precisa da maioria dos votos. Ou seja, 6 capas-pretas. Como isso não aconteceu, o recurso não teve provimento, logo e lógico, que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral continuaria valendo, impedindo o candidato enquadrado na lei da ficha limpa a se candidatar. Mas isso precisava ser dito na sessão e as excelências não tiveram culhão pra falar isso.

Algumas horas se passaram, e ao meio dia de hoje Joaquim Roriz manobrou sabiamente e desistiu da campanha para colocar a esposa em seu lugar. O que isso significa? O objeto da ação do TSE não existe mais, logo, não existe ação. E se não existe ação, não existe mais a possibilidade do STF garantir que políticos impedidos de se candidatarem pelo TSE concorram no dia 3 de outubro. Em síntese, o STF, por pura falta de coragem, jogou o processo no ventilador.

Isso me faz lembrar da cidade maravilhosa. Que infelizmente teve um governador e uma governadora casados que arrebentaram com o estado, deixaram o pau comer solto e a violência crescer, além de colocarem milhões e milhões de reais no bolso durante seus mandatos, conforme versam dezenas de processos contra os pombinhos. O Rio de janeiro foi governado durante anos por um grupo político liderado pelos garotinhos que por um milagre foram condenados e afastados, mesmo que superficialmente, da vida pública.

Depois da falha do STF e da decisão do ex-governador e ex-candidato Joaquim Roriz em ser substituído pela esposa, o Distrito Federal corre o risco de estar rumo ao mesmo alçapão de embrólios políticos que o Rio de Janeiro sofreu durante anos. Acho que não será fácil essa eleição aqui no DF, não tenho idéia de quem poderá ganhar, mas espero que essa repetição digna de máfia italiana não se repita no meu estado, na minha cidade.

Agora, só podemos esperar o resultado das urnas e torcer para que os eleitores percebam o que pode acontecer conosco se a estratégia de Roriz for bem sucedida. Está mais do que na hora da campanha política dos adversários de Roriz, utilizarem da mesma sabedoria e levar informação e esclarecimento para a população dos perigos de um retorno de um grupo político completamente descomprometido com o bem estar da socidade e da seriedade do governo.

Eu, eleitor, gostaria muito de ver na reta final das campanhas, estratégias de conscientização do eleitorado em vez de promessas, ataques superficiais. Porque, no fim das contas, independente de quem estiver no Buriti, o povo é que vai sofrer as consequências de um ou de outro governo. Sinceramente, a gente merece muito mais do que ver Brasília, e todo o DF, nas mãos de pessoas que pensam com usam o nosso bolso pra encher os próprios bolsos, bolsas, meias e maletas.

Dia 3, muita gente pode não saber em quem votar, mas o mais importante é saber em quem não votar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Papagaio de Pirata



O curso de Comunicação Social me ensinou várias coisas úteis e interessantes. Descobri também o que significa o termo "Papagaio de Pirata" (o que não se enquadra entre o útil ou interessante). No jornalismo, o Papagaio de Pirata é sempre aquele assessor, assistente bronco, jagunço, segurança, secretária que nunca vai estar à frente do microfone e se posiciona exatamente no quadro da câmera para sair na foto junto com quem a pessoa relevante naquele momento. Ou seja, alguém que na cadeia alimentar está pertinho do Plâncton. E essa prática é um tanto quanto normal no meio dos jornalistas (eu não sou um) e também é uma expressão óbvia para qualquer um entender, quando colocada no contexto correto.

Mas os papagaios estão em plena época de reprodução. Ainda mais em época de campanha, tem gente que quer aparecer na foto de qualquer jeito. Seja na foto em palanque, fazendo bravata ou na foto com um artista famoso. O importante é mostrar a cara feia pra todo mundo ver. Fico pensando aqui como deve ser deprimente passar a vida esperando que o Pirata morra para poder voar. Porque até então, vai ter que dar o pé e ficar ali, eternamente, posando e pousando, no ombro do capitão, ou seria do comandante?

Papagaios são bichos reconhecidamente espertos. Nascem pelados, ganham uma penagem chamativa, sabem muito bem como chamar a atenção e até falam. Por incrível que pareça conseguem falar até 900 palavras. É o único bicho que sabe falar como um ser humano. Realmente impressionante, tenho que dar o braço a torcer que esse bicho é realmente inteligente. Mas enfim, é um bicho, um passarinho chato pra cacete, um mero papagaio que só repete e repete incessantemente o que ensinam pra ele e em momentos inoportunos.

Quem é que gostaria de ter um papagaio atormentando a paz? Aposto que muita gente, eu inclusive, teria vontade de enfiar uma bala, uma pedrada ou estraçalhar o papagaio alheio, mas enfim. Não fazemos  isso, porque o bicho é até divertido de vez em quando pelas bobagens que fala, está em extinção e é protegido por uma sigla qualquer. E enquanto os papagaios não se extinguem, torcemos para que um corsário qualquer resolva fazer um ensopado deles.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ai minha bunda!




Antes de começar a escrever, queria fazer uma pequena reflexão de onde estamos. O planeta é Terra, o mundo está globalizado, o Chavez anuncia o fim de relação diplomática com a Colômbia ao lado do Maradona, o maior McDonald´s do mundo fica num país comunista, moramos num país que chama Brasil, que parece que está acordando do coma e que agora o nosso presidente, que só tem 9 dedos, sancionou uma lei que proíbe palmadas em crianças. OK. Já entendi.

Minha história (em poucas palavras) - Nasci, filho único, criança inteligente, sempre fui bem na escola, não era um demônio. Muitos amigos, crianças em bando, merda feita. Meus pais se separaram, minha mãa trabalhava o dia todo e eu estudava a a maior parte dele. Sempre fui grudado com minha mãe e nunca gostei de outras pessoas. Anti-social desde criança e que permanece até hoje. Cresci, fui educado, cheguei onde estou e sim, levei vários tapas da minha mãe. Não lembro da dor, mas lembro que não eram legais, porque a moçada lá em casa tem um certo problema de excesso de força e mão pesada. Minha mãe deve ter apanhado também. Assim como a mãe dela. Mas e aí? Significa que isso é certo? ou Errado? Tem gente que arrisca falar que tapas acontecem com pais que não têm capacidade de criar seus filhos, são inexperientes ou algo do tipo. Bem, pelo que eu me lembre na década de 20, 30, 40. Os pais eram doutores e os filhos não só apanhavam como ficavam ajoelhados no milho.

Eu saí bem das palmadas. Sem traumas, sem ressentimentos e na maioria das vezes eu sabia que corria o risco de tomar um tapão na bunda e mesmo assim fazia a cagada. Ok. Deve ter acontecido alguns incidentes de percurso que o tapa veio de forma injusta, mas tenho certeza que a maioria das vezes eu fiz por onde.

Agora, a palmada virou comoção social. E como toda comoção social a capacidade de análise fica de lado e tudo vira um grande Big Brother. Tem gente que não quer perder o direito de dar um tapa no filho e outros querem colocar esses na cadeia, ao lado da cela de torturadores da ditadura (viva GG). Já li textos que vão desde o absurdo de acusar o governo em promover uma cisão social entre pais e filhos e que o objetivo da lei é fazer com que filhos se voltem contra os pais e fiquem a favor do governo, tendo como base teórica práticas de regimes autoritários (e não socialistas, como propõe o texto). Do outro lado, gente que fala que o tapa vai fazer com que as crianças cresçam violentas, como se a palmada, o tapa, a surra, seja lá qual o nome é um desrespeito aos direitos humanos e que isso é um grande absurdo.

Pára tudo que eu quero descer! Eu costumo dizer que o grande problema das pessoas é que elas sempre querem ter razão e dar o braço a torcer, se torna uma causa maior que a própria causa em debate. Todo mundo parece ter problema em chegar a um meio termo. Não adianta ficar advogando pelo 8 ou pelo 80. Não é um plesbiscito e sim uma mera lei que como milhares de outras, se a sociedade não acatar, não entrará em vigor de fato. Ou você já viu alguém anulando um casamento porque o outro tem doença mental grave que, por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado?

Todo mundo está tomando lados, se juntando com seus companheiros e formando grupos para defender o tema, diga-se de passagem é aquele que aquele determinado grupo acredita e defende. No fim das contas o que teremos? Situação e oposição e suas campanhas de ataque ao que os outros defendem para qual o fim mesmo? Ah tá. Para que um dos lados saia vencedor. Mas, e as crianças, hein?

As crianças estão lá. Algumas apanhando, outras não, algumas felizes apanhando, outras tristes implorando por atenção dos pais. Não tem fórmula, não tem lei que resolva isso. A lei pode ajudar a forçar o debate na sociedade, assim como foi a lei anti-tabaco. E por falar nisso, alguém já viu uma pessoa sendo multada porque estava fumando em algum lugar proibido? Eu nunca fui. Mas hoje, eu me sinto incomodado em fumar em locais que as pessoas não estão fumando. Mas quanto tempo levou para que as pessoas deixassem o hábito de fumar dentro de aviões e não fumarem no próprio escritório em respeito às outras pessoas? Sabe como é o nome disso? Sociedade. Isso demora, ninguém vai ser preso, nenhum pai vai ser processado por filhos e nenhum governo vai impor regras de educação e nenhum governo está promovendo um golpe social e irá recrutar crianças que apanham para militar contra os pais tiranos, contra o sistema. Só de escrever esse raciocínio já me deu preguiça de gente que pensa nisso.

Enfim, pessoas que não me lêem nesse blog. Vamos sossegar, olhar a a lei que foi sancionada, parar de viajar e usar isso como artifício político e tentar fazer com que as crianças não sejam meros temas ou assuntos de discussões de intelectuais, defensores de direitos humanos e políticos. Mas sim, vamos deixar que elas sejam crianças, dar mais atenção a elas e fazer de tudo para que as coisas se resolvam da melhor forma possível, mostrando o que é certo e o que é errado, sem lados, sem maniqueísmo, sem campanha política. Mas sim com um excesso de bom senso como se nunca teve antes nesse país.


Eduardo François é documentarista, 33 anos, mora perto do Congresso Nacional, levou palmadas da mãe, e nunca bateu na sua filha, mas vai enfiar a mão em quem chegar perto dela pra fazer alguma maldade.

terça-feira, 30 de março de 2010

Brasília, 19h45.




Brasília, 29 de março de 2010
19h45

Uma tempestade bíblica despencou sobre a cidade hoje. Segundo as notícias, teve carro encoberto pela água. São pedro mandou ver e desabou água em cima da capital cinquentenária de linhas retas e sem esquinas. Sem esquinas e sem sinais de trânsito que entraram em colapso pelo mini-blackout em alguns pontos da cidade, gerado pelo alagamento das galerias de distribuição, segundo a companhia energética. Companhia energética hoje em dia não parece quem fabrica aqueles trecos que a moçada gosta de tomar com whisky?

Enfim, a cidade estava um caos, digno de filme de Hollywood pré Armagedom. Não existia cruzamento, não existia uma via que não estivesse congestionada. As buzinas, que raramente são ouvidas por aqui, ecoavam no início da noite, num esforço sem sucesso de desintegrar pelo barulho os outros carros. Todo mundo nervoso, querendo chegar em casa, se livrar do stress.

Eu só pensava em me livrar da dor, estava indo pro médico pra levar duas agulhadas intravenosas pra tentar diminuir os incômodos da minha hérnia de disco em estado inicial. Mas que dói um pouco. No caminho, curiosamente um dos cruzamentos mais movimentados nessa hora, estava fluindo na medida do possível, dentro do caos estabelecido. Pensei, por alguns momentos, que a minha cidade, era muito bacana, porque independente do caos, tinha organização pública necessária pra orientar a população. Sempre quando falam mal do DETRAN ou da PM eu geralmente concordo. Mas hoje, eu estava batendo palmas para eles porque naquele momento, um dos dois ógãos, da segurança pública do DF estava em ação fazendo aquele pessoal chegar em casa o quanto antes e diminuindo a ansiedade de ficar preso num trânsito sem ordem, sem nexo.

Fui chegando perto do cruzamento e um guincho tampava a minha visão do que estava acontecendo. Curiosamente os carros de um lado passavam e o da minha pista paravam, mas não conseguia ver nenhum carro com rodolights ligados às margens da pista como de costume. As pessoas que estavam à pé, atravessavam, orientados por aquele agente de segurança que era responsável em dar um pouco de ordem para a desordem estabelecida por São Pedro. A dor nas costas incomodava um pouco e a perna que aperta a embreagem é a perna que dói quando a coluna resolve entrar em conflito com o Ciático. Então, congestionamentos não são recomendados para mim. Mas eu não estava preocupado, porque na hora que o guincho saísse da minha frente, eu teria certeza que o trânsito fluiria graças àquela pessoa que trabalhava para servir a população.

O guincho acelerou. Sinal que foi liberada a nossa pista. Enquanto isso os outros carros, da pista perpendicular, paravam, obedecendo a ordem máxima da autoridade no trânsito. A medida que o guincho se distanciava do meu carro, começava a surgir uma figura no meio da pista. Não estava de amarelo DETRAN, nem com a farda cinza da PM. Estava descalço, de bermuda, com a barba grande, camiseta verde e encharcado pela ira das nuvens vespertinas. Um morador de rua apareceu na frente do meu carro. E quando olhei pra ele, me fez o sinal para passar. Sim, o trânsito da Capital Federal, estava sendo regido por um maestro sem teto, sem emprego, sem sapato. Uma pessoa que não ganha nada pra isso, mas que estava ali ajudando gente como eu a chegar no médico, em casa, na faculdade.

Queria muito agradecer o dia de hoje às forças administrativas e policiais da cidade, porque se não fosse por eles eu não teria como pensar que ainda existem pessoas no mundo que agem sem a pretensão de ter algo em troca. A ineficiência, pra não dizer ausência do poder público nas ruas , mostrou hoje para mim e algumas centenas de pessoas que ainda existe gente com boa intenção e que há luz no fim do túnel, mesmo em Brasília que não existe túnel, muito menos luz quando chove tanto assim.

**Esse texto é dedicado à CEB, ao DETRAN e à PMDF. Órgãos necessários e importantes, mas que precisam de gente séria em suas gestões para que seus agentes não paguem pela incompetência dos burocratas.

domingo, 28 de março de 2010

Quem é a Dilma, pai?



Ok. Nunca fui muito envolvido com política, mas sabia que eu tinha que estar na Esplanada no dia do Impeachment do Collor. E naquela época, com 16 anos, no dia em que comecei a usar óculos, não era um ser que pode-se chamar de politizado, nem de intelectual, apesar daqueles óculos imensos na cara. Era um metaleiro de óculos e só. Mas eu sabia quem era o Getúlio, o Jânio, o Geisel, o Brizola. Sabia quem batia e quem apanhava e também assisti, anos antes, na TV de casa enquantos todos dormiam, a comoção no dia da eleição do Tancredo e a aprovação da Constituição.

Internet, não existia. Jornal Nacional, sim. Jornais, eram os mesmos. A manipulação da mídia era a mesma que é hoje. A comunicação em 15 anos virou de cabeça para baixo, apesar dos mesmos grupos ainda comandarem os principais veículos. Hoje há uma infinidade de Blogs, sites pessoais, redes sociais, redes de notícias de ONG´s, partidos políticos, enfim; lugar não falta para ler, pesquisar, fazer paralelo, ter acesso às mais diferentes opiniões e reflexões. Mas parece que nada disso tem adiantado muito. Me surpreendi com uma pergunta nesse fim de semana. "Quem é a Dilma, pai?"

O que será que a moçada com seus 15 anos estão fazendo com a informação? Nunca se acessou tanto a Internet. A escala de crescimento de acessos da rede é geométrica, mas com certeza acesso é completamente diferente de aproveitamento, senão inversamente proporcional. São horas na frente de um computador, horas vazias, de lazer puro e simples, aculturado, acéfalo. Horas gastas com bate papos, redes de relacionamento de fofocas, postagem de fotos de festas, e por aí vai. A Internet está cheia de buracos negros, que estão carregando a moçada para lugar nenhum. Como diria o velho Obi-Wan Kenobi: Cuidado com o lado negro da força, Luke.

Mas enfim. É culpa da galerinha só se interessar pelo lixo eletrônico? Claro que não. A culpa é da mãe, do pai, da escola, de todo mundo que rodeia a molecada e olham pra eles exatamente só como molecada. Acho que às vezes nos esquecemos da importância de começar a trabalhar a base das coisas. Como é que poderemos querer que essa rapeizi, como diz o velho Lobo, se engaje em alguma coisa, que tenha responsabilidade ou comprometimento com uma causa que não seja o umbigo deles ou as festinhas do fim de semana, se não damos exemplo, não fornecemos material de análise crítica e deixamos simplesmente o barco correr. Há sim falta de interesse em aprender, preguiça da geração real time em pegar um livro, um jornal e ler uma matéria sobre economia, política, cultura. Mas há falta de preocupação e incentivo da gente, a rapeizi de cabelos brancos, em formar nossos filhos não só com a formação de boleto bancário das escolas particulares. Inclusive, quem sabe se nos preocuparmos um pouquinho mais em dar subsídios para essa galera, os filhos ou netos deles não precisem estudar em uma escola particular.

Muito se fala em revolução, em reação, em liberdade de imprensa em manipulação da informação. Não é questão só de formar a molecada na ideologia e mostrar qual é o jeito certo de se pensar. Até porque não existe jeito certo, existe as pessoas acreditam. Cada um sempre vai seguir o seu caminho, mas tem que ter subsídio para conseguir decidir o que quer seguir. Isso é importante para o país, para o futuro, para eles mesmos. Mas além dessa preocupação institucional que me bateu, comecei a pensar se alguém nessa faixa etária que não sabe quem é a Dilma ou o Serra, ou qualquer outra figura em voga no cenário, será que sabe como é que contrai HIV? Ou Dengue Hemorrágica? Como fazer para ajudar a desacelerar o aquecimento global, ou entender que aquele baseado maneiro vai contribuir pro balaço na cara de um amigo ou familiar em algum momento?

É. Acho que tá na hora da gente começar a pensar que para as coisas darem certo, também precisamos fazer por onde e não só esperar que elas dêem certo. Então, acho que tá na hora de parar de esperar e só cobrar e levantar o rabo da cadeira e colocar essa molecada pra pensar.

Menos MSN e mais política.
Menos Orkut e mais museus.
Menos televisão e mais ação.
Menos futilidade e mais atividade.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Too young to die, too old to rock and roll

Carina, Marina, Corina
Fernanda, Amanda, Luanda
Ana, Luana, Taiana
Caroline, Isabele, Marcele
15, 16, 17,
Mesmo cabelo, mesmo tom, mesma marca
Saudades do bom e velho Rock n´ Roll
E daquelas meninas de roupa preta e butinão
Elas eram uma mais feia que as outras
viva a diversidade!

Haikai

A noite de sexta
é besta
e só

Sexta

Sexta feira, tem gente que só usa branco
É dia de cerveja, segundo a publicidade
Todo mundo está na rua
O burburinho toma conta da noite
Uma barulheira sem fim
Não dá pra conversar
Mas não tem problema
Porque não tem ninguém pra fazer isso

sábado, 19 de dezembro de 2009

Happiness only real when shared






Christopher McCandless


O que é preciso fazer para mudar a natureza humana? Será que já mudamos ou o que somos hoje é exatamente o que sempre fomos? Ter uma mente consciente e raciocinar sempre foi colocado nos livros como uma característica superior aos outros bichos. Seres inferiores. Será?


Nunca vi um cachorro espancar o seu filhote, nem muito menos abandoná-lo. Da mesma forma, não tive notícia ainda de um leão que maltrata a leoa. Nós falamos de respeito, de sociedade, de moral. Baboseira pura. Convenções demarcadas por interesses escusos e humanos. Ninguém precisa pensar pra saber o que é certo ou errado. Todos nós sabemos muito bem a diferença entre os dois, mas teimamos em ter que pensar, raciocinar, analisar e escolher. Não importa o que é certo e o que é errado, mas sim o que a gente acha que será melhor pra gente, sem se importar com os outros, com as consequências que isso pode trazer.


Hoje, tenho certeza de que a evolução, a sociedade, as convenções só vieram pra bagunçar tudo, pra tirar a gente das nossas raízes não civilizadas. Quem gosta de rir quando não está feliz e quem gosta de se fingir de triste quando não está? Não conheço nenhuma pessoa normal que faça isso. Eu não sou normal, sou civilizado. Fui pra escola e aprendi com os adultos a me tornar um deles. Acordo todo dia e vou trabalhar, ganhar dinheiro, defender meus interesses. Bosta de interesses. Os meus não significam nada, mas numa escala geométrica de crescimento esses interesses, civilizados e humanos, são os que causam guerras, que matam pessoas e que deixam gente sem comida ou doente. Tudo isso porque alguém tem um maior, um interesse que aquilo deve acontecer para um objetivo ser atingido. 


Eu, Eduardo. Sou grande, dizem que sou inteligente e atraente. E daí? Também já me disseram que sou violento, que dou medo e que assusto as pessoas quando quero. Eu nunca quero assustar ninguém. Quer dizer, ninguém que seja próximo a mim. Será que é difícil de entender isso? Não adianta insistir por mais tosco que eu demosntre ser às vezes. Eu sou do bem. A única coisa que quero é viver em paz e poder confiar nos outros. Não quero pensar antes de falar e não quero desconfiar quando ouvir. Nada de raciocínio. Nada de civilidade. Quero só voltar a ser um bicho normal, simples. Como aquele que nasceu há 32 anos atrás e só tinha instinto, só dependia da natureza para sobreviver. 


Sem hipocrisia. Não sabemos nada sobre a vida, muito menos sobre a morte, que chega assim, como uma tempestade de verão. O dia ensolarado pode se transformar numa tormenta que atormenta e arrebenta com tudo à sua volta. O que fazer então para tentar aprender um pouco mais de como viver de uma forma mais simples, menos angustiante? Analisando friamente, acho que a situação se iguala a um viciado em crack ou metanfetamina. Não tem mais volta. Tudo já está estabelecido e os que rompem essa barreira ficam à margem e ganham apelidos carinhosos como malucos-beleza, doidos, pirados, coo-coo. Triste conclusão.


De vez em quando é preciso voltar de onde se veio. É preciso contar apenas com seus instintos para ver o que acontece. Não é nada simples coviver apenas com eles, suas defesas naturais, biomecânicas. Mesmo quem sabe, sempre sai com um roxo ou um vermelho na costela. Imagina quem não sabe. Todos nós estamos precisando de um pouco mais de naturalidade, de sair de casa sem armaduras e se tiver algum problema encarar de peito aberto. No braço mesmo. De vez em quando é importante sentir no próprio couro como a porrada chega. Quem sabe assim a gente tem idéia do que é dor de verdade e se sente um pouco mais vivo. Sem especulações, sem jogos de intrigas, sem mind games. Só carne crua mesmo. 


Adoro ver os bichos, imaginar em que eles estão pensando. De cima da minha superioridade humana, acho que eles têm que estar pensando em algo. Não, definitivamente, não. O cachorro não pensa em nada quando ele vem te fazer carinho ou quando vem te pedir afagos. Ele simplesmente vem, porque quer e não porque depois vai ganhar comida. Um cidadão brasileiro chamado Vinícius de Moraes uma vez falou que o whisky era o cachorro engarrafado. Foi a melhor definição de amparo, de colo que eu já pude ouvir. O cachorro está sempre lá e o whisky sempre ajuda a apagar o que não deveria estar lá. Fico com os cachorros porque a ressaca de whisky não me faz muito bem.


E por falar em Vinícius, me parece que em algum momento da vida ele se encontrou, cansou de tudo o que convencionaram para ele: educado, diplomata, intelectual. Em algum momento dentro daquela cabeça as coisas entraram em conflito e a necessidade de ser Vinícius, falou mais forte. Porque se alguém conhece uma pessoa mais espontânea do que ele, por favor me apresente. Muitos dizem que ele era um fanfarrão, que não respeitava suas mulheres (foram 9 oficiais), que não ligava para a família... 


Comportamento esperado, casamento e família. A base que todos esperam de uma pessoa normal, padrão. Henry Ford ia adorar essa linha de produção. O cara era simplesmente um apaixonado pela vida. Quis viver com suas vontades de perto, acompanhando cada mudança, cada novo acontecimento em seu coração, em sua vida. Intensidade. E viveu o que quis. Morreu feliz? Claro que não, porque imagino que o objetivo da vida dele não era ser feliz, e sim buscar a felicidade daquela uma forma ingênua, primária, sem pretensões, sem Maquiavel. O mundo de hoje não é um mundo pra quem quer viver assim. Vinícius morreu no seu tempo, na hora que deveria. Não iria suportar essa corrida pelo ouro, essa busca a coisa nenhuma e a falta de preocupação entre os civilizados. Humanos.


Vinícius morreu no Rio, Christopher McCandless, no Alasca.


Nunca se conheceram, nunca ouviram falar um do outro, mas têm algo muito em comum. Os dois viveram a vida como escolheram e como acreditavam que ela deveria ser. Buscaram respostas. Se encontraram, nunca vamos saber, porque para nós civilizados e superiores resta interpretar o que eles fizeram por eles ou por nós.


Os que me conhecem bem sabem que minha cabeça não pára, ela está sempre moendo as idéias e fazendo sinapses lisérgicas a todo momento. Só isso explica sair da natureza humana e terminar em Vinícius de Moraes e ouvir um ícone do Grunge de Seattle e conseguir terminar o texto com uma letra de música que une todo mundo.......


É. Às vezes até acho que as diversidades podem não existir e que tudo tem um ponto de intersecção. Mas pena que essa impressão passa rápido....





Guaranteed, by Eddie Veder
On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...

Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...

Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...

Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed.











terça-feira, 8 de dezembro de 2009

TOURO INDOMÁVEL





Quando eu falo que ler jornal e assistir televisão é uma bosta, ninguém acredita em mim. Hoje antes de dormir fui me atualizar e o que descubro. Um brother com 3 balaços. Pescoço, coração e pulmão segundo o jornal. Foda ler uma notícia dessas quando você sabe quem é a pessoa e ainda mais quando você adimira o cara pra caralho.

Mas segundo notícias do Marcelo Rubens Paiva, Fábio Brum e outros amigos, Marião já se comunica por mímicas e será desentubado amanhã. Deve ficar na UTI uns 10 dias ainda.

Bem, mais um motivo pra eu querer sentar o braço em quem acha que pode foder com a vida alheia. Tenta, meu camarada, mas não consegue, porque o vamarada lá é bruto e é duro pra caralho.

Ficamos no aguardo para a volta. E enquanto isso a Santa Casa vai ficar mais animada.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Experiência farmacológica







A porra do sol ainda nascia pela cortina e já tava se aliando ao resto de álcool que ainda existia no sangue, pra formar o ressacão. Sentiu o hálito digno de quem tinha mastigado um toco de cigarro a noite toda e não tava nem a fim de abrir o olho pra começar o dia. Sabia que o trabalho não ia ter nada de muito diferente a não ser que caísse a porra de um avião que aumentasse os defuntos pra ele bater o carimbo de se fodeu no fim do expediente.



Pensou em levantar quando ouviu um barulho estranho pra caralho que não era habitual dentro do cafofo pseudo-mofado.
“Uhhhhhhhhhhhhh”

Pulou da cama na mesma velocidade que o diabo foge da cruz e viu aquele monte de lençol embolado que se mexia sozinho e ainda gemia. Em pé, ali no canto da kit, esperava os neurônios entrarem em sincronia com a realidade, porque naquele momento estavam boiando naquela cena surreal, com trilha sonora do tempo das cavernas.Começou a respirar de novo, olhou praquele bando de pano deitado na cama e pensou se aquilo só poderia ser algum bicho bem grande que tinha entrado debaixo do lençol durante a noite. Olhou a garrafa de vinho da noite passada e já escalou o gargalo pra rachar o crânio do ser gemedor que tinha invadido o território sagrado. Foi andando para perto, enfiou a mão no lençol e puxou de uma vez o pano, quando viu aquele ser de outro planeta. A mina olhou pro Paulão, deu um sorriso meio amarelo e deu uma sacaneada.
“Acordou, Belo adormecido?”

Que porra que aquela mulher tava fazendo na cama, não fazia a mínima idéia. Olhou em volta e viu um vestido jogado, mas só tinha uma taça de vinho no chão. Tava sem camisa, mas de calça jeans. Lembrava da luta de vale tudo às 3h da manhã na televisão, mas tinha certeza que não tinha assistido ao lado de uma Deusa daquela. Só podia ser flashback de alguma droga muito pesada. Mas a porra do flashback falava. Então tava mais pra esquizofrenia aguda. Era só o que faltava. Começar a ver gente que não existe e a ouvir vozes.
“Mina, não leva a mal a pergunta não, mas que porra você ta fazendo aí deitada de sutiã e calcinha?”

E ela deu uma risada mixada com outro gemido.
“Não me faz rir, que dói mais, porra!.”


Como assim, dói? Agora fodeu tudo. Além de ter uma mulher deitada na cama de cacinha e sutiã, que ele não se lembrava de como ela tinha parado ali, a bicha ainda tinha algum tipo de dor que fazia urrar na delicadeza de um urso polar. A próxima surpresa ia ser uma poça de sangue no colchão, com certeza.
“Caralho mina, o que você tem? Que porra de dor é essa e porque diabo você ta na minha cama?”

Ela foi se desembrulhando dos lençóis que ainda restavam e saindo da posição fetal que a tinha deixado do tamanho de uma trouxa de roupa. Coxão, barriguinha, peitão. Tudo foi surgindo e Paulão não via o sangue, a seringa espetada no braço, o pulso cortado, nada. Nenhuma desgraça aparente, como de costume.
“Porra, velho. O que tinha no seu vinho? Você me ligou ontem e me chamou pra vir aqui beber com você. Não lembra que eu te dei meu telefone no boteco há umas 3 semanas atrás? Mas quando eu cheguei você tava chapado e como a porta tava aberta entrei e fiquei. Tava muito tarde já.”


Não! Só podia ser alguma sacanagem de alguém. Tinha uma gostosa na cama, que concordou em ir pra casa dele sabe-se lá que horas e ele não tinha comido? Com certeza era sacanagem.
“Uhhhhhhhhhhhhhhhhhh”


Aquela porra já tava começando a assustar. E Paulão resolveu soltar a garrafa que iria chapuletar na fuça do ser inanimado que estava debaixo das cobertas e foi acudir o corpão gemedor. Porque a cara dela não tava nenhum pouco feliz.
“Cara, você quer que eu ligue pra alguém? Aconteceu alguma coisa? Você tem mais algum tempo de vida?”

“Porra Paulão, não me faz rir, filho da puta. Aconteceu uma coisa sim. Você não me comeu e eu fiquei menstruada. E agora to morrendo de cólica.”

“Mina, me deixa entender essa porra, porque ainda to meio bêbado. Você gostosa desse jeito, veio até minha casa pra me dar, eu não te comi e agora você ta com cólica? Se toda mulher que eu não comesse ficasse com cólica os caras que vendem remédio iam me contratar como garoto propaganda. E por falar em remédio, porque você não toma um?”

Depois de algumas gargalhadas com soluços de dor e um mix de sorriso com cara de sofrimento medieval, ela conseguiu respirar e continuou conversando.
“Velho, esquece os detalhes. Só tô com uma puta cólica que não sinto há anos. Parece que tomei uma surra. Você tem algum remédio aí, porque eu não tenho nada.”

“O único remédio que tenho nessa joça é pra ressaca, baby. Serve?”

“Não, Paulão. Esse não adianta não.”

Ela ficou olhando pra ele, e por algum momento rolou uma hipnose. Depois de um silêncio de alguns segundos, Paulão não tava entendendo mais porra nenhuma. A única coisa que entendia bem era de ressaca. Pra isso tinha milhões de receitas, mas a que mais gostava era a de beber mais pra rebater. Mas pra cólica? Só chamando a ambulância.
 “Mas e aí, cara. O que vai ser? Você fica aí gemendo e eu vou trabalhar? Você vai sair comigo? A gente começa a se pegar e conserta o desencontro de ontem? Ou eu chamo a ambulância?”

“Você podia era ir na farmácia e comprar um remedinho pra mim!”

Nesse momento Paulão tinha certeza que alguma coisa tinha de errado na vida dele. Devia ser algum alinhamento astrológico, o apocalipse, carma de outras vidas, mas ainda acreditava mais na possibilidade de ser sacanagem de alguém. Parou pra analisar a cena. Uma mina, que ele não tinha comido, o acordou com barulho, e mandou ir na farmácia? Será que tinha batido a cabeça e esqueceu que tava casado com alguém? Puta que pariu.
“Mina, você quer que eu vá na farmácia comprar remédio pra você?”

“Remédio e absorvente!”, ela completou já morrendo de rir.

Agora fodeu de vez. A cena de entrar na farmácia e pedir um Modess e ser visto por qualquer amigo, vizinho, puta, mendigo, vira-lata, motorista de ônibus que sabia quem ele era podia causar certos problemas na vida dele. Ia falar pra mina que ela podia ficar ali quietinha enrolada nos panos porque ir na farmácia era intimidade demais. Mas ela deu de novo aquela porra de olhar. Não sabia o que era aquilo, mas funcionava bem pra caralho. Acabou analisando a situação e viu que se fosse na farmácia e fizesse o favor pra mocinha não ia fazer com que ela o odiasse o resto da vida e ainda podia render uma trepada futura.
“Qual remédio você quer?”


“Não sei, nunca tomo isso, tem tempo que não rola isso comigo.”

Tava começando a ficar complicado. Como é que ia chegar na farmácia sem o nome do remédio. Mas se tratando de farmácia, era só pedir o remédio para a chaga da Deusa-contorcionista que ia dar tudo certo. Desceu as escadas correndo para não se atrasar pro trabalho e atravessou a rua pra chegar na farmácia. Como era cedo, não tinha muita gente. Então não tinha ia ter maiores problemas com o carma periódico feminino que tinha caído no seu colo. Chegou no balcão e viu aquela mocinha que mais parecia um boneco de Playmobil atendendo e mandou ver.
“Oi, eu queria um remédio pra cólica, tem como você pegar um rapidinho aí pra mim?”

“Senhor, qual remédio o senhor quer?”

“Qualquer um. Um que seja pra cólica. Coisa de mulher, você sabe, né?

“Senhor, eu não posso indicar remédio. O senhor tem que saber qual o medicamento precisa.”


Não ia ser tão simples ajudar a beldade dolorida.
“Moça, olha bem pra minha cara. Você realmente acha que eu sei que porra de remédio serve pra cólica? Você acha que já fiquei menstruado alguma vez? O único sangue que sai daqui é quando alguém soca minha cara num boteco sujo desses por aí.”

“Senhor, preciso saber qual o medicamento. Eu não posso indicar porque a reação é diferente em cada pessoa.

Coçou a cabeça, pensou em enfiar goela abaixo da atendente aquele vibrador de massagem que estava a venda em cima do balcão, pra ela saber o que é uma reação diferente. Olhou pros lados e teve a idéia de perguntar pra qualquer mulher que estava por ali sobre o tal remédio milagroso. Mas não teve coragem. Pegou o telefone, pensou em ligar pra Sabrina. Mas nunca mais ia ter paz na vida se ela soubesse que estava na farmácia comprando remedinho pra uma mina. Ia ser muito sacaneado, então resolveu ir pra guerra e encarar pessoas estranhas.
“Oi moça, tudo bem? Tô precisando de uma força. Tenho que comprar um remédio pra cólica de mulher mas não sei o que comprar, qual você usa?

“Meu filho, na minha época a gente usava um chazinho de uma planta que nem lembro mais o nome, mas remédio mesmo eu não sei. Tem tempo que não preciso disso. Mas a plantinha é boa você pode ir até lá na feira na barraca da dona Ziza que ela tem um monte de ervas e plantas medicinais boas que eu uso pra todo o tipo de coisa porque eu tenho artrite e também tenho problema de pressão alta que piora o diabetes mas eu consigo controlar que é uma beleza com aqueles chazinhos das plantinhas da Ziza porque a gente é amiga há mais de 20 anos e o filho dela que também é bonitão assim igual você tambpem vende numa outra barraca lá na feira mas ele vende aquelas coisas de computador que o pessoal compra lá no Paraguai porque é mais barato mas mesmo assim é muito perigoso porque anda tendo muito assalto a Ziza me contou porque esse mundo ta ficando uma coisa de louco porque quando eu era mais jovem...”

“Tia, tia. Respira, senão a senhora vai ter um treco. E eu já tenho que cuidar de uma mulher com cólica. Não vai me dar um enfarto pra cuidar também.”


Olhou em volta, e procurou alguém com menos de 80 anos que não oferecesse perigo e que conseguisse falar de um assunto só sem fazer referência à Santa Ceia. E abordou uma mocinha que estava passando por perto. Ela já tava entregando a carteira pra ele quando fez a mesma pergunta. A mocinha aliviada por não ser um assaltante respondeu que usava um tal de Ponstan. Finalmente a porra do nome tinha surgido e ia poder levar o remédio pro corpo que ainda respirava na sua cama. Voltou na farmácia com a boca cheia. E ficou meio tenso porque o balcão já estava com mais gente do que antes. O perigo de encontrar alguém conhecido aumentava a cada momento.
“Mocinha, me dá uma caixa de Ponstan e um pacote de Modess.”

“Senhor, Ponstin está em falta e nós não vendemos absorvente. Pode comprar no supermercado”

Que porra de farmácia não vende coisas de farmácia? Modess no supermercado parecia algo meio surreal demais. E não ter a porra do remédio não estava nos planos de fazer uma ação rápida de emergência. Saiu correndo pro mercado, foi procurar o colchão íntimo para mocinhas íntimas deitadas no colchão. Viu aquela parede de absorventes na prateleira. Com abas, interno, noturno, mini, mega, super, médio, slim, ultra seco, com gel, com flocos. Parecia uma sorveteria pra bucetas. Não tinha a mínima idéia do que comprar até porque não conhecia as medidas, nem formato ideal para encaixar no meio das pernas da beldade à bolonhesa. Pegou um que já tinha visto na casa da Sabrina que devia servir. E também já tinha visto o comercial dele na televisão, então esse devia ser famoso. Pagou o bagulho e voltou na farmácia. Meteu a mão no balcão e olhou pro projeto de atendente.
“Seguinte, moça. Você queria que eu te desse a porra do nome do remédio, eu dei. Você não tem o bagulho. Agora se vira pra me arrumar um que sirva pra mesma coisa.”


Com os olhos estatelados, a pequena japinha farmacêutica se viu diante de um probleminha. Ou ela falava qual era o remédio ou quem ia precisar de remédio pra dores intensas era ela.
“O senhor quer Atroveran ou Buscopan?”

“Você não tá entendendo. Eu não quero nada, só quero sair dessa merda de farmácia. Me dá o mais forte e o que funciona melhor e rápido.”

Pegou tudo, disfarçou tudo no saco do mercado pra não dar bandeira com os vizinhos e foi pra casa. A hora já tava passando e sabia que ia chegar atrasado no trabalho e que já ia ter defunto esperando pra ser liberado pra comer grama pela raiz. Entrou em casa correndo e viu aquela silhueta de bunda coberta. A cama estava recheada. Se sentiu como um diabético olhando a porra de uma torta de chocolate. Uma porque a mina tava dormindo e com dor e outra porque tava atrasado pra caralho já. Colocou o remédio e o Modess no travesseiro e saiu. Enquanto andava pela rua, indo pro metrô pensou em tudo e viu que se tratando dele, aquilo devia ter sido o mais próximo do romantismo que pôde chegar. Não era uma rosa, mas tinha certeza que ia agradar uma mulher quando ela acordasse. Acendeu o Marlborão matinal e pensou se ela ainda estaria lá quando ele voltasse. Claro que não.

domingo, 8 de novembro de 2009


Tá bom. Quem conhece o Paulão? Ele está mais pra monstro do pântano do que pra príncipe encantado. Anos depois do último texto, resolvi escrever de novo e agora com um incentivo maior. Paulão tem uma nova amiga, bagaceira personificada, como diz a sua autora.


Sendo assim, tentamos de duas formas diferentes, cada qual com seu estilo, juntar os dois em uma história apenas. quem quiser conferir, é só rolar a telinha e procurar a história de Paulão e Ana nos blogs listados aqui ao lado.


Boa sorte para todos.....




Misto quente



A noite passava, a moçada que mora na rua arrumava os papelões e os jornais, os vira-latas já se aconchegavam atrás dos pontos de ônibus e em volta de seus donos vadios. Paulão tinha acabado de sair do Bar de um jeito não muito sóbrio, com o maço de cigarros esmigalhado dentro do bolso da calça. Parou na esquina, deu uma geral nos bolsos procurando um isqueiro, um fósforo e olhou em volta procurando uma revolução qualquer, que tivesse incendiando qualquer merda pra poder acender um cigarro. Não existia mais uma alma viva na rua pra pedir fogo e só existia um único cigarro dentro daquela chacina de tabaco que tinha acontecido no bolso da calça que tinha usado a semana inteira pra fatiar presunto no IML.
Paulão, velho de guerra, colocou o cigarro torto e amassado na boca e saiu vagando em busca do coquetel Molotov, parecia que só assim ia arrumar fogo naquele dia. Estava se sentindo dentro de um filme de velho oeste, mas não tinha feno voando, mas jornais eram descortinados pelos inquilinos das marquises da cidade. Paulão meteu a mão no bolso, olho no telefone, e viu que já passara da 1h da manhã. Não estava a fim de ir pra casa, então resolveu ligar pro bom e velho Mochila. Caixa Postal. Ligou pra Sabrina, Desligado. “Puta que pariu, pensou”. Começou a procurar um mendigo, um morador de rua, um traficante, uma puta, qualquer ser vivo que pudesse acender a merda do cigarro amassado antes que ele chegasse a casa. Mas pelo jeito que as coisas iam, tava bem difícil.
Virou a esquina e viu um tiozinho de 60 e poucos anos, com uma roupa da mesma idade e uma barba tricolor, digna de ir lavar em qualquer lava-jato automotivo. A garrafa de pinga em uma das mãos e qualquer coisa que não balançasse, na outra: parede, poste, vitrine, carro. Tudo que estivesse ao alcance da outra mão servia pra não enfiar a fuça no chão. Paulão viu a cena, teve um flashback de alguns momentos da vida e partiu pra cima do velhote.
O fedor da vida bêbada chegou antes. Era uma mistura de gasolina com mijo e fumaça com enxofre. Se o inferno tiver um cheiro, sabia que era exatamente aquele. “Cumpadi, me arruma um fogo aí?”. O velho parou, demorou uns 15 segundos até ajustar o foco e as idéias e respondeu: “Fogo? Só se for do inferno, meu filho. Cigaro faz mal.” E foi embora ignorando aquele momento de fissura. Paulão olhou pro velho, olhou pro cigarro amassado, deu uma coçada na cabeça e pensou se friccionasse a cabeça do velho no asfalto não conseguiria nenhuma faísca para acender o canceroso. Tava muito cansado pra arrumar confusão e o velho também não tinha feito nada demais, só bebido mais que ele.
E naquele momento que passou um carro. Desviou do velho profeta das trevas que se aventurava em ziguezague no meio da avenida e parou 100 metros da esquina onde Paulão estava. Pensou em sair correndo até o carro e pedir o isqueiro emprestado, mas ficou grilado de tomar um balaço ou de matar alguém do coração, então resolveu esperar e foi se aproximando devagar. Chegou mais perto do carro, mas ninguém saía daquela merda e a fissura só aumentava. Resolveu ver o que tava rolando e foi dar uma checada no panorama.
Não dava pra ver muita coisa. Mas que tinha alguém sendo feliz dentro do carro, tinha. Os vidros embaçados não deixavam dúvidas. A cena de amor urbana fez Paulão desistir do isqueiro com aquele carro e continuou andando pela calçada. A porta do carro abriu. Pensou que não rolava de pedir o fogo porque o casal poderia se assustar com a presença daquela figura surgindo do nada, quase embriagada e na alta madrugada. São combinações que geralmente assustam casais dentro de carros. Continuou andando, mas deu uma checada. A mina parecia que tinha saído de uma garrafinha de Yakult de tão amarrotado que tava o vestido. A cara vermelha denunciava a falta de prestobarba alheia e ausência de batom nos lábios. Mas não escondia a beleza. Paulão deu uma parada pra apreciar, ela olhou pra ele quando saiu do carro, teve o susto básico de um encontro surpresa e entrou no portão do prédio. Lá de dentro deu uma olhada pra trás, mas não deu muita moral. Parece que o esquema de dentro do carro estava muito interessante. Mais uma noite sem cigarro, sem mulher e provavelmente de ressaca.
Acordou com a cabeça bombando. Não por causa da ressaca, mas pela briga dos vizinhos porque o filho mais novo tinha quebrado alguma porra dentro de casa e ainda não estava pronto para o raio do colégio. Bateu na parede e deu um clássico bom dia: “Caralho, bando de filho da puta, dá pra calar a boca nessa merda?”. Já que estava acordado mesmo, resolveu sair mais cedo da toca úmida e de paredes finas pra tomar um café na padaria e seguir pro trampo. Na pia do banheiro, depois do banho clássico, viu que a escova de dente tinha a companhia de um cigarro retorcido da madrugada passada. Pegou o onco-bastão tacou atrás da orelha e saiu rumo à padaria para comer o mistão e o café com leite antes que aquela porra enchesse de famintos matutinos inveterados. Plugou o MP3 no ouvido e saiu cantarolando uma música do disco novo do Iggy Pop.
Indo pra padaria do Portuga, passou pela cenário da madrugada anterior. Olhou pro portão onde a Deusa tinha entrado e se lembrou da cena ridícula dele parado no meio da calçada, bebum feito um gambá e babando numa mina que tinha acabado de largar o namorado no carro e estava entrando em casa. Podia fácil arrumar uma confusão com camarada. Mais fácil ainda, a mina gritar e chamar a polícia, porque o pé grande retardado tava ali estático, sem falar nada e secando a gostosa no meio da madrugada. Deu uma risada e seguiu pra padoca.
Tava ali curtindo aquele som estranho, do velho e esquelético Iggy, e esperando o rango, quando sentiu um cheiro estranho. Não era suor, fumaça de churrasquinho ou qualquer outra merda que estava acostumado a sentir ali, naquela hora do dia. Olhou pra trás e antes de virar o pescoção viu aquela boca mexendo. Na mesma hora arrancou os fones do ouvido é só entendeu que o que ela tinha falado terminava em dia. “Ahn?”, perguntou. Ela deu um riso. “Não falei nada, só disse bom dia”. Será que o leite tava estragado, ou a vodka do dia anterior tava batizada?, pensou. A mina linda, do meio da rua, que morava dentro da garrafinha de Yakult, tava ali na mesma padaria de manhã cedo. Depois de alguns segundos de retardo e síndrome de babaca petrificado, respondeu com alto estilo. “Opa!”. Opa? Queria enfiar a cabeça naquele balde de leite quente que tava esquentando lá no Portuga.
Ela estava em pé no balcão quando o Mochila, um dos melhores amigos do Paulão, chegou e já soltou a pérola. “Fala, meu velho. Tá bem pra caralho, hein! Trazendo a mocinha pra tomar café no Portuga.”. Respirou fundo, procurou a faca mais próxima pra enfiar na garganta do Mochila. “Cala a boca, Mochila. A mina não tem nada a ver comigo não. O que você come de noite que já acorda falando merda?”. Naquele momento viu o canto de olho da mulher dos vestidos amassados se esticando pro papo cabeça de vento. “Porra Paulão. Se não tá contigo, então vou me apresentar. É de babar.”. Nesse momento pediu pro butijão de gás da padaria explodir ou alguma merda inusitada acontecer e matar todo mundo ali, porque a mina tinha ouvido a cagada e virou pra direção deles. Mochila murchou, fingiu que tinha recebido uma ligação na bosta do celular que sempre caía na caixa. “Tudo bem? Já que vocês querem me conhecer, sou a Ana”. Esticou a mão. Paulão olhou pro Mochila e pensou em pelo menos 10 formas diferentes de dissecar um corpo antes de segurar a mão da Ana. “E aí Ana, beleza? O bicho ali é meio retardado, mas não liga não. Ele não fala as coisas por mal não, eu sou o Paulão.” Ela odiava apelidos, mas naquele momento não podia fazer nenhuma gracinha, porque já tinha sido um pouco ousada de sair em busca de conhecer aquela figura inusitada que tinha visto na madrugada anterior. Deu um sorriso amarelado e mandou uma pesada: “Paulão? Por quê homens têm mania de colocar apelido. Eu não gosto de Paulão. Prefiro Paulo”.“Pô, mina. Legal que tu prefere Paulo. Por mim, pode me chamar até de Clotilde?. Manda qualquer nome aí que tá valendo.” Ela deu uma risada e disse “Ok, Paulo-Paulão. Eu sou a Ana, Ana Bolena”.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Pá-Pum


Frases rápidas para mim mesmo:

Filha da putice - O problema não é com você, é comigo. (claro, né? Se fosse comigo tava resolvido)

Lápide - Cortou. Fade out / Não deu pra ficar, mas a gente se encontra por aí.

Alegria - Papi, te amo. (lê falando)

Credulidade - Por que Deus fez isso comigo?

Razão - Deus não fez nada, por isso aconteceu isso com você.

Eu - Deus? Pára, né?

Sofrimento - Tem um trocado pra eu inteirar o remédio da minha filha, patrão?

Dor - Feridas que não fecham, só criam casquinha.

Futuro - Família.

Filhos - Filhas.

Música - Blues da madrugada. Nada melhor.

Lugar incomum - Bolsa de puta.

Putaria - Cansei tem tempo.

Vida - Curta pra cacete e curta demais.

Viagem - A próxima.

Mulher feia - Marisa

Homem feio - Sei lá. E não me importo nem um pouco.

Mentira - Castelo de areia.

Filmes - Outra dimensão

Genuflexório - Coisa inútil. E de nome escroto.

Inglês - What the fuck.

Legado - Não quero. Quero viver agora.
Cabeça - Dói.

Agora - Hora de dormir.




Eu, o Belchior e otras cositas más.




Depois de um fim de semana fechado num escritório terminando um trabalho cansativo, hoje estou aqui na minha cama, sem dormir. Acordei meio dia e ainda dormi parte da tarde de hoje. Sinal que realmente estava cansado e que não sou mais o mesmo. Acho que é a idade que chega e não alivia.


Acabei de achar um site que é uma rede de livrarias e sebos, chamado estante virtual. Um tanto quanto interessante se a proposta realmente funcionar. Pelo jeito, funciona. Encontrei um livro do fante com a tradução do Leminski que nunca achava em lugar nenhum. Viva a tecnologia. Mas e o charme de entrar em sebos e ficar garimpando coisas e descobrindo outras? Acho que o charme das coisas vai desaparecendo mesmo com o tempo. Conseguiram matar até o charme de procurar livro? Agora é só digitar o nome que pum.... lá está o raios do livro. Mete o número do cartão de crédito e compra e pronto, acabou a missão. Estranho né?


o que será das próximas gerações? A evolução é uma coisa normal, eu sei. Não sou nada antiquado e adoro as facilidades do dia a dia. Amo meu iPhone e TV via satélite. Mas algumas coisas têm que ter seu charme. Até ser corno não tem mais o charme que tinha antes. Antes tinha que contratar detetive que demorava séculos pra descobrir um caso extra-conjugal, tirar fotos comprometedoras e tudo o que está relacionado nessa baixaria familiar. Mas hoje, com uma ligação isso tá resolvido. em 10 minutos se sabe onde a pessoa está e por onde ela passou o dia inteiro. E o mais escroto de tudo, que é possível receber as coordenadas por email. Parece piada. Trepada monitorada por satélite.


Bem, como em tudo, essa modernidade toda tem as coisas boas e as ruins, normal. Mas ainda fico preocupado com a facilidade extrema e a rapidez de resultados. Tenho certeza que na geração www teremos muito mais pessoas com crises de ansiedade, agoniadas e stressadas, porque hoje a informação chega rápido demais, tudo gira muito rápido e não dá nem tempo de ficar velho pra já aparecer algo que tome o lugar. Informação, novidades, estatísticas, notícias, novidades tecnológicas, música, clipes, filmes, protestos, blogs, fotos, redes comunitárias, tudo é muito e tudo é rápido. Quase impossível de acompanhar.


É. Acho que nesse momento bateu a inveja e a compreensão do rapaz latinoamericano. Que mal tem se isolar no cú do mundo do Uruguai? E me vem uma repórter lá da China pra achar o cara? O quê raios eu tenho a ver com a vida dele? A necessidade de novidade de satisfazer o público acaba estrapolando limites e fazendo com que as pessoas percam a noção do que é certo, do que é errado. É certo caçar algué em outro país apenas pra colocar no último bloco de uma revista eletrônica de quinta categoria?


A entrevista foi um fiasco porque o cara simplesmente deu uma de vaselina e não responde nada que queriam saber. Mandou muito bem. Mas me faz pensar o que as pessoas são capazes de fazer para atingir os objetivos. E pra quê servem esse objetivos? Dar um furo de repotagem significa invadir a privacidade de uma pessoa a ponto de ir na casa dela? Não bastava notociar que o cara tava no Uruguai e pronto? Tem mesmo que ir lá, bater à porta, deixar a câmera ligada do lado de fora esperando a porta abrir pra tentar fazer uma imagem flagrante? Isso deixou de ser jornalismo há muuuuito tempo. Passou a ser uma busca pessoal, passou a ser uma encomenda de um produto para atrair público. Ou seja: um produto publicitário.


Mas então. Do que somos capazes para atingir nossos objetivos? E quais são esses objetivos? Vale realmente a pena passarmos horas longe das pessoas que gostamos, sacrificando nossa saúde e bem estar para ganhar dinheiro? Ou será que vale a pena mentir, para garantir um status quo e quando apaga a luz, realmente revelar quem somos? Tô cansade de ver gente pregando de santo em horário comercial e se transformar em filho da puta quando não tem ninguém olhando. E tem gente pra caralho assim. Afirmo que a maioria das pessoas, diga-se de passagem.


Não tô dizendo que sou santo e que não faço nada errado. Já fiz coisa errada pra cacete, mas procuro aprender. Hoje não sou capaz de fazer algo que atrapalhe ou que interfira a vida de alguém. De coisas simples como ligar depois das dez a tratar bem as pessoas que considero (e até as que não considero muito) porque tenho certeza que é assim que eu gostaria de ser tratado.


Hoje estamos enfiados até o tampo da cabeça num mundo de mentira. Nego mente pra tudo. Desde a política até maridos e mulheres. Esse fim de semana pude presenciar a fraude em uma eleição dentro de um evento social, onde não tinha dinheiro envolvido. Imagina se tivesse. Se é pra levar vantagem, hoje vale tudo. E eu não quero levar vantagem em nada. Só quero ficar no meu canto com as coisas e pessoas que gosto, sem ninguém me encher o saco. Mentir pra manter a carinha de anjo e ser uma puta quando todo mundo vira as costas. Mentir dizendo que se proeocupa como próximo e não fazer absolutamente nada para ajudar nenhuma alma viva. Mentir pros filhos dando lição de moral e socar a cara da mãe quando chega bêbado em casa. Se eu ficar enumerando exemplos aqui, só saio daqui de manhã cedo.


Sei que estou cansado disso. Estou cansado de gente que mente, de gente falsa, de gente que não consegue olhar pra lugar nenhum além do seu próprio rabo. Não sei se isso é apenas uma fase, mas só sei que estou nela. E pra variar quando penso nisso fico de mal-humor, então, como eu não gosto de mentir, é melhor não me encher o saco ou não vir de firulinha pra cima de mim, porque o sistema aqui é meio bruto, curto e grosso. Mas continuo com inveja do Belchior.







quinta-feira, 18 de junho de 2009

AOS MEUS COLEGAS




Mensagem postada aos colegas de Faculdade......


Pessoas e não pessoas.

Esse email deve ser um pouco longo. Não tem nada a ver com a festa ou com encontros, mas com devaneios meus do meio da madrugada que gostaria de dividir com alguém, depois das duas Neosaldinas e algum outro treco pra enxaqueca (aquilo tem cafeína e não consigo dormir). Então, sinto muito. Vou começar a escrever.

Como eu não tô fazendo nada agora de madrugada.... queria perguntar o que vocês acharam da decisão do Supremo em "ripar" a necessidade de diploma de jornalista para exercer a profissão....???

Eu, na boa, e no alto da falta de debate com qualquer outro ser humano, nos meus 40m², acho que é muito legal pra informação de um modo geral. É claro que sempre haverá necessidade de gente técnica, com academia para organizar as coisas. Mas o que eu realmente não entendi foi a comoção geral e inflamada do tipo: estão tirando o meu diploma, estão acabando com a profissão, isso é um absurdo, etc e tal. Na boa, gente. Será que eu que ando viajando demais, tomando muito suco de soja e tô achando isso legal porque abre mais espaço para que mais pessoas possam contribuir com informação e com experiência de vida na comunicação?

Assim. Deixa tentar explicar. Não sei se alguém gosta da Revista Trip. Eu amo de paixão, só não gosto muito daquelas meninas que saem semi-nuas. Mas fazer o quê?.. hehe... Voltando ao foco. A Trip é uma revista muito, mas muito diversificada. De ensaios sensuais a matérias com Sadhus indianos, tem de tudo. Acompanho há anos cada edição e me surpreendi muito quando há sei lá quanto tempo o Luiz Mendes começou a escrever a sua coluna.

Momento da Deixa para vocês perguntarem: Quem diabos é Luiz Mendes?.....

TEMPO PARA PROCURAR NO GOOGLE
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Enfim, o Luiz é um cara que pegou 30 anos de cana, cumpriu sei lá quantos e saiu da beirada do inferno de volta pras ruas. Mas diferente de como a gente está acostumado a ver todo dia, o cara saiu empregado como colunista da Trip. Melhor. Ele antes de sair já escrevia pra revista. E diga-se de passagem, muito bem.

Tá bom. Eu sei que parece história de filme do Arriaga, mas é verdade. O cara começou a ler na cadeia e passou 20 e tantos anos lendo e se transformando, enquanto o tempo criava rugas na cara do latrocida-cult. Mas olha só: será que tô me fazendo entender? Qual o problema se uma pessoa que não é jornalista poder contribuir com todos nós e contar suas experiências, seu modo de ver a vida, seu jeito de escrever. Sim, ele não tem padrão. Não tem técnica jornalística. Mas e daí? É informação, é reflexão. Ou será que não é por aí? Será que é melhor a gente mandar o Caco Barcellos contar pra gente o que rola em Bangú ou assistir Carandirú? Creio que não. A mensagem não vem igual, não tem "punch". É como ir pra um show do Sepultura e ouvir Bon Jovi. Tudo é rock, mas a pegada é bem diferente.

Podia falar e meter o malho no formato do jornalismo hoje. Do hard new mesmo. Aquel formato boa noite, matéria, off, sonora, ouve um lado, ouve outro lado,
passagem, boa noite, até amanhã. Alguém vai discordar que isso é chato pra cacete? Acho que não. Ando fazendo isso pros gringos e vou te contar. É muito chato. Mas o problema é que o foco não é esse. Bem, eu acho que não é. Imagino que até possa existir uma mudança no futuro por conta de novas idéias que poderão surgir. Mas acho que tá consolidado demais pra mudar. O que é bacana é a possibilidade que outras coisas sejam criadas, formas sejam resgatadas. Coisas bacanas como a pesquisa a fundo, a vivência antes de colocar alguma coisa no papel. Hunter Thompson, Kerouac (em homenagem ao Manoel). Tá bom! Não precisa ser tão Gonzo, mas acho importante essa vontade de enfiar a cabeça no balde pra ver quanto tempo dá pra ficar sem respirar, como esses caras tinham, do que ouvir de alguém que fez isso e depois sair contando pra todo mundo.

Então. Não consigo ver problema nessa abertura de possibilidades de que pessoas diversas sejam parte ativa numa história, que possam falar do que sabem com propriedade, dividir o que viram, o que sofreram, enfim: informar. A parte da técnica, da forma, vai sempre ficar a cargo de jornalistas sim. Editores, chefes de redação e repórteres nunca serão dispensáveis, pois existe um sistema sólido que necessita de toda essa organização editorial e que é importante pra caramba para informar o povo. Mas não dá pra limitar a isso, né?

Que mal tem se eu quiser escrever uma matéria, aliás, um texto sobre o Haiti? Eu não sou repórter. Não sou jornalista. Mas botei meu rabo na reta por 15 dias lá no paraíso da Malária pra filmar um documentário. Será que não seria legal contar, em uma oportunidade hipotética, que andar dentro de um blindado de madrugada com colete à prova de bala e capacete não é nada legal? E falar que os militares brasileiros, aqueles torturadores e algozes do Caetano do Chico e do Gil, são pessoas simplesmente fantásticas que estão fazendo um trabalho estupendo.... (estupendo??????.....intelectual demais pra mim)...... um trabalho DO CARALHO lá com o povo haitiano, principalmente com as crianças. Quem sabia que não se dá um tiro no Haiti há mais de um ano? E ainda bem que permaneceu assim enquanto eu estava lá, diga-se de passagem.

Então, vejo a bagaça (tem que ter uma giriazinha pra quebrar a seriedade) da seguinte forma: podíamos nos preocupar muito menos com a forma, com a técnica e começar a ver a informação de outra perspectiva. Não olhar apenas para o dia a dia. Ninguém quer sentar na cadeira do William Bonner. Não vão colocar o Peréio para definir editorial, para apurar matérias, noticiar fatos. Isso é pra gente que sabe, que estudou como fazer isso da melhor forma. Mas e se um caderno especial sobre cinema e teatro undergroung fosse editado? Será que o cara não seria a melhor opção do que a editora que nunca colocou o pé na Vila Madalena ou no Conic? O jornalismo é mais que o jornalista. Jornalismo deve ser mais comprometido com a informação, com a história. E menos com suas fontes, com quem está informando.

Nisso sem falar na velocidade do mundo de hoje né? Não dá pra gente chamar de jornalismo só o que sai no jornal, na TV, no rádio e em sites oficiais de notícias. Muitos devem ter visto que no Irã a moçada travou a imprensa, mas não adiantou porque a tecnologia e a vontade de informar da população foi além. Venho acompanhando pelo Twitter e alguns outros sites a evolução das coisas por lá. Impressionante o que a gente não sabe pela mídia. É muito legal saber que existem pessoas que apesar de serem "comuns" estão comprometidas com a comunicação, querem informar, estão cansadas que as coloquem num molde de gesso. E para mudar isso, chutam o pau da barraca e tacam sal no chá do Aiatolá, mesmo correndo o risco de tomar um balaço.

Aí alguém vai querer me convencer que não é legal criar um precedente para que qualquer um que possa e que tenha algo para informar, tenha esse direito. Realmente não consigo ver uma coisa ruim, filosoficamente falando. Sem entrar na questão de corporativismo, mercado, salários, etc e tal. Porque isso é muito mais uma briga política de sindicatos e associações que não server pra muita coisa além de fazer lobby pra eles mesmos. Quem é bom, quem é fodão sempre vai estar com seu lugar garantido, com diploma ou não, e não precisa de manifestação na esplanada, liderada por alguém em cima de um trio elétrico que mais lembra uma Micareta.

Enfim, acho que é isso. Não tô defendendo nada, não tô dizendo o que é certo ou o que errado, até porque eu não sei o que é certo nem na hora que vou fazer meu prato do almoço, mas só o que eu acho. Uma visão um tanto quanto particular, mas que faz algum sentido, pelo menos pra mim: alguém que gosta muito de informação e detesta hipocrisia..... e não tem diploma de jornalista.

Beijos...

Edu

Trilha sonora da madrugada:
Concha Buika, Adele, Beirut e Tom Waits....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CENA 1, TAKE 27


Estou aqui. Acabei de acordar. Essas coisas que o organismo não explica. COnsegui dormir às 11h da noite e acordei as três parecendo ter tomado 500g de pó de guaraná. Fudeu a noite. Amanhã vai ser de doer.

Então resolvi me distrair aqui e falar um pouco sobre alguma coisa. Literatura? Não tenho lido tanto quanto gostaria. Não vou me arriscar. Filmes? Pode ser uma saída. Deixa ver. Assisti um com o fodão do Forest Whitaker (é assim?). O filme chama-se "Powder Blue". Não sei o nome em portugês. Mas quando chegar nas telonas, pode crer que vale a pena dar uma conferida, porque o elenco é simplesmente muito bom. Fazem parte Ray Liota e Jessica Biel. Filminho bem construído e bem montado. Mas pra falar em montagem cumpadi, vamos lá tirar o chapéu para o monstro mexicano dos roteiros.



Guillermo Arriaga é o cara que escreveu Babel, 21 gramas e Amores Brutos. De saída o cara me mandou uma trilogia sobre relacionamentos mais fantástica já escrita até hoje. Depois escreve um treco muito legal que o Tommy Lee Jones dirige, "Os Três enterros de Melquiades Estrada". E agora o filho da puta ataca de diretor também, além de escrever. O filme começa daquele jeitão dele e você pensa. Tá bom, mais um filme daqueles com histórias que vão se cruzar no meio do caminho. Sim, elas se cruzam, mas não do jeito que a gente imagina. Simplesmente do caralho. Recomendo. o filmete chamado "The Burning Plain".

Acho que é isso. Vou tentar dormir. com essas duas boas lembranças da semana passada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

POBRE MENINA RICA




Essa aí em cima é Lucy Gordon. Bonita, cara de boneca. Defunta. O namorado a encontrou enforcada no apartamento, que diga-se de passagem ele estava dentro. Isso que é sono pesado! Aí eu me pergunto de forma mecânica. Que raios fez a mocinha se matar? E no mesmo instante eu mesmo me respondo: não me interessa. Quer dizer. Não interessa a ninguém.

É muito fácil neguinho pegar e ficar falando que a mocinha era rica, tinha tudo que muita gente sonha, que era (quase) perfeita, e mais um monte de baboseiras. O ser humano é realmente muito, mas muito escroto. Porra, cada um tem sua vida, seus problemas, seus motivos. Se a mulher era rica, vivia no estrlato e bonita ela não pode comparar a vida dela com um camarada que mora no Sudão, doente e com fome. Pra ela não faz a mínima diferença se ela tem tudo que ele sonhou. É tudo uma questão de proporcionalidade. Matemática pura.

Eu tenho um carro. Gasto 450 paus só com gasolina. Esses 450 paus são muito mais que um pai de família tem pra sustentar ele, a mulher, e sei lá quantos filhos. Da mesma forma, como eu ando com meu carro, tem gente que anda com carros mais caros, de helicóptero, de jatinho. Se o meu problema hoje é pensar em como arrumar dinheiro pra trocar de apartamento, tem gente que nem sonha em ter um apartamento ainda mais em trocá-lo. Mas o meu problema é trocar o meu apartamento porque preciso de mais espaço para seguir com meus planos e não dá para doar minha casa para caridade. Não que eu ignore os problemas alheios, pelo contrário. Me comovo pra caralho com o que rola por aí. Mas infelizmente não é problema meu, porque se fosse eu dava um jeito de resolver.

Sendo assim, respeito as pessoas que aceleram a subida, e desejo sorte seja lá no que for acontecer com a mocinha dos olhos azuis a partir de agora.

E tudo não seria bem mais fácil se todo mundo se respeitasse e parasse de entrar pela porta dos fundos da vida alheia?

Vai nessa, menina Lucy sorridente. Uma pena, mas fazer o quê?