sexta-feira, 30 de julho de 2010
Ai minha bunda!
Antes de começar a escrever, queria fazer uma pequena reflexão de onde estamos. O planeta é Terra, o mundo está globalizado, o Chavez anuncia o fim de relação diplomática com a Colômbia ao lado do Maradona, o maior McDonald´s do mundo fica num país comunista, moramos num país que chama Brasil, que parece que está acordando do coma e que agora o nosso presidente, que só tem 9 dedos, sancionou uma lei que proíbe palmadas em crianças. OK. Já entendi.
Minha história (em poucas palavras) - Nasci, filho único, criança inteligente, sempre fui bem na escola, não era um demônio. Muitos amigos, crianças em bando, merda feita. Meus pais se separaram, minha mãa trabalhava o dia todo e eu estudava a a maior parte dele. Sempre fui grudado com minha mãe e nunca gostei de outras pessoas. Anti-social desde criança e que permanece até hoje. Cresci, fui educado, cheguei onde estou e sim, levei vários tapas da minha mãe. Não lembro da dor, mas lembro que não eram legais, porque a moçada lá em casa tem um certo problema de excesso de força e mão pesada. Minha mãe deve ter apanhado também. Assim como a mãe dela. Mas e aí? Significa que isso é certo? ou Errado? Tem gente que arrisca falar que tapas acontecem com pais que não têm capacidade de criar seus filhos, são inexperientes ou algo do tipo. Bem, pelo que eu me lembre na década de 20, 30, 40. Os pais eram doutores e os filhos não só apanhavam como ficavam ajoelhados no milho.
Eu saí bem das palmadas. Sem traumas, sem ressentimentos e na maioria das vezes eu sabia que corria o risco de tomar um tapão na bunda e mesmo assim fazia a cagada. Ok. Deve ter acontecido alguns incidentes de percurso que o tapa veio de forma injusta, mas tenho certeza que a maioria das vezes eu fiz por onde.
Agora, a palmada virou comoção social. E como toda comoção social a capacidade de análise fica de lado e tudo vira um grande Big Brother. Tem gente que não quer perder o direito de dar um tapa no filho e outros querem colocar esses na cadeia, ao lado da cela de torturadores da ditadura (viva GG). Já li textos que vão desde o absurdo de acusar o governo em promover uma cisão social entre pais e filhos e que o objetivo da lei é fazer com que filhos se voltem contra os pais e fiquem a favor do governo, tendo como base teórica práticas de regimes autoritários (e não socialistas, como propõe o texto). Do outro lado, gente que fala que o tapa vai fazer com que as crianças cresçam violentas, como se a palmada, o tapa, a surra, seja lá qual o nome é um desrespeito aos direitos humanos e que isso é um grande absurdo.
Pára tudo que eu quero descer! Eu costumo dizer que o grande problema das pessoas é que elas sempre querem ter razão e dar o braço a torcer, se torna uma causa maior que a própria causa em debate. Todo mundo parece ter problema em chegar a um meio termo. Não adianta ficar advogando pelo 8 ou pelo 80. Não é um plesbiscito e sim uma mera lei que como milhares de outras, se a sociedade não acatar, não entrará em vigor de fato. Ou você já viu alguém anulando um casamento porque o outro tem doença mental grave que, por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado?
Todo mundo está tomando lados, se juntando com seus companheiros e formando grupos para defender o tema, diga-se de passagem é aquele que aquele determinado grupo acredita e defende. No fim das contas o que teremos? Situação e oposição e suas campanhas de ataque ao que os outros defendem para qual o fim mesmo? Ah tá. Para que um dos lados saia vencedor. Mas, e as crianças, hein?
As crianças estão lá. Algumas apanhando, outras não, algumas felizes apanhando, outras tristes implorando por atenção dos pais. Não tem fórmula, não tem lei que resolva isso. A lei pode ajudar a forçar o debate na sociedade, assim como foi a lei anti-tabaco. E por falar nisso, alguém já viu uma pessoa sendo multada porque estava fumando em algum lugar proibido? Eu nunca fui. Mas hoje, eu me sinto incomodado em fumar em locais que as pessoas não estão fumando. Mas quanto tempo levou para que as pessoas deixassem o hábito de fumar dentro de aviões e não fumarem no próprio escritório em respeito às outras pessoas? Sabe como é o nome disso? Sociedade. Isso demora, ninguém vai ser preso, nenhum pai vai ser processado por filhos e nenhum governo vai impor regras de educação e nenhum governo está promovendo um golpe social e irá recrutar crianças que apanham para militar contra os pais tiranos, contra o sistema. Só de escrever esse raciocínio já me deu preguiça de gente que pensa nisso.
Enfim, pessoas que não me lêem nesse blog. Vamos sossegar, olhar a a lei que foi sancionada, parar de viajar e usar isso como artifício político e tentar fazer com que as crianças não sejam meros temas ou assuntos de discussões de intelectuais, defensores de direitos humanos e políticos. Mas sim, vamos deixar que elas sejam crianças, dar mais atenção a elas e fazer de tudo para que as coisas se resolvam da melhor forma possível, mostrando o que é certo e o que é errado, sem lados, sem maniqueísmo, sem campanha política. Mas sim com um excesso de bom senso como se nunca teve antes nesse país.
Eduardo François é documentarista, 33 anos, mora perto do Congresso Nacional, levou palmadas da mãe, e nunca bateu na sua filha, mas vai enfiar a mão em quem chegar perto dela pra fazer alguma maldade.
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Eduardo, escreva mais. Não tenho filhos e levei muitas palmadas da mãe e do pai. Uma delas, inesquecível. Dormi na Igreja durante o batizado da minha prima. Levei bronca. E, no mesmo dia, dei um chute na canela do meu irmão, que ao ver que meu pai se aproximava, encenou um berreiro. Foi muito gen recessivo. Meu pai não gostou. "Não se chuta ninguém nessa vida." E, mais. "Assistiu ao batizado?". "Não." "Porque?". "Porque eu estava dormindo." E, pior, como boa ariana, eu não chorei com aquelas palmadas. Só de raiva. É claro que eu não mereci. Mas duvido que tenha me tornado um ser humano traumatizado por isso. Só evito batizados.
ResponderExcluirAbs, Daniella
Bem, eu confesso que não estou arrependida das poucas palmadas que eu apaixonadamente lhe dei. Sem essas palmadas você não seria este homem maravilhoso que é hoje! Agora, você não ter dado palmadas na sua filha, não é vantagem nenhuma... Vocês não moravam na mesma casa ..... quero ver você se conter com o segundo filho.... Não estou incentivando as palmadas,longe de mim, só quero deixar registrado que vou parabenizar a sua abstinência, se ela assim acontecer.
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