terça-feira, 30 de março de 2010
Brasília, 19h45.
Brasília, 29 de março de 2010
19h45
Uma tempestade bíblica despencou sobre a cidade hoje. Segundo as notícias, teve carro encoberto pela água. São pedro mandou ver e desabou água em cima da capital cinquentenária de linhas retas e sem esquinas. Sem esquinas e sem sinais de trânsito que entraram em colapso pelo mini-blackout em alguns pontos da cidade, gerado pelo alagamento das galerias de distribuição, segundo a companhia energética. Companhia energética hoje em dia não parece quem fabrica aqueles trecos que a moçada gosta de tomar com whisky?
Enfim, a cidade estava um caos, digno de filme de Hollywood pré Armagedom. Não existia cruzamento, não existia uma via que não estivesse congestionada. As buzinas, que raramente são ouvidas por aqui, ecoavam no início da noite, num esforço sem sucesso de desintegrar pelo barulho os outros carros. Todo mundo nervoso, querendo chegar em casa, se livrar do stress.
Eu só pensava em me livrar da dor, estava indo pro médico pra levar duas agulhadas intravenosas pra tentar diminuir os incômodos da minha hérnia de disco em estado inicial. Mas que dói um pouco. No caminho, curiosamente um dos cruzamentos mais movimentados nessa hora, estava fluindo na medida do possível, dentro do caos estabelecido. Pensei, por alguns momentos, que a minha cidade, era muito bacana, porque independente do caos, tinha organização pública necessária pra orientar a população. Sempre quando falam mal do DETRAN ou da PM eu geralmente concordo. Mas hoje, eu estava batendo palmas para eles porque naquele momento, um dos dois ógãos, da segurança pública do DF estava em ação fazendo aquele pessoal chegar em casa o quanto antes e diminuindo a ansiedade de ficar preso num trânsito sem ordem, sem nexo.
Fui chegando perto do cruzamento e um guincho tampava a minha visão do que estava acontecendo. Curiosamente os carros de um lado passavam e o da minha pista paravam, mas não conseguia ver nenhum carro com rodolights ligados às margens da pista como de costume. As pessoas que estavam à pé, atravessavam, orientados por aquele agente de segurança que era responsável em dar um pouco de ordem para a desordem estabelecida por São Pedro. A dor nas costas incomodava um pouco e a perna que aperta a embreagem é a perna que dói quando a coluna resolve entrar em conflito com o Ciático. Então, congestionamentos não são recomendados para mim. Mas eu não estava preocupado, porque na hora que o guincho saísse da minha frente, eu teria certeza que o trânsito fluiria graças àquela pessoa que trabalhava para servir a população.
O guincho acelerou. Sinal que foi liberada a nossa pista. Enquanto isso os outros carros, da pista perpendicular, paravam, obedecendo a ordem máxima da autoridade no trânsito. A medida que o guincho se distanciava do meu carro, começava a surgir uma figura no meio da pista. Não estava de amarelo DETRAN, nem com a farda cinza da PM. Estava descalço, de bermuda, com a barba grande, camiseta verde e encharcado pela ira das nuvens vespertinas. Um morador de rua apareceu na frente do meu carro. E quando olhei pra ele, me fez o sinal para passar. Sim, o trânsito da Capital Federal, estava sendo regido por um maestro sem teto, sem emprego, sem sapato. Uma pessoa que não ganha nada pra isso, mas que estava ali ajudando gente como eu a chegar no médico, em casa, na faculdade.
Queria muito agradecer o dia de hoje às forças administrativas e policiais da cidade, porque se não fosse por eles eu não teria como pensar que ainda existem pessoas no mundo que agem sem a pretensão de ter algo em troca. A ineficiência, pra não dizer ausência do poder público nas ruas , mostrou hoje para mim e algumas centenas de pessoas que ainda existe gente com boa intenção e que há luz no fim do túnel, mesmo em Brasília que não existe túnel, muito menos luz quando chove tanto assim.
**Esse texto é dedicado à CEB, ao DETRAN e à PMDF. Órgãos necessários e importantes, mas que precisam de gente séria em suas gestões para que seus agentes não paguem pela incompetência dos burocratas.
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