domingo, 28 de março de 2010

Quem é a Dilma, pai?



Ok. Nunca fui muito envolvido com política, mas sabia que eu tinha que estar na Esplanada no dia do Impeachment do Collor. E naquela época, com 16 anos, no dia em que comecei a usar óculos, não era um ser que pode-se chamar de politizado, nem de intelectual, apesar daqueles óculos imensos na cara. Era um metaleiro de óculos e só. Mas eu sabia quem era o Getúlio, o Jânio, o Geisel, o Brizola. Sabia quem batia e quem apanhava e também assisti, anos antes, na TV de casa enquantos todos dormiam, a comoção no dia da eleição do Tancredo e a aprovação da Constituição.

Internet, não existia. Jornal Nacional, sim. Jornais, eram os mesmos. A manipulação da mídia era a mesma que é hoje. A comunicação em 15 anos virou de cabeça para baixo, apesar dos mesmos grupos ainda comandarem os principais veículos. Hoje há uma infinidade de Blogs, sites pessoais, redes sociais, redes de notícias de ONG´s, partidos políticos, enfim; lugar não falta para ler, pesquisar, fazer paralelo, ter acesso às mais diferentes opiniões e reflexões. Mas parece que nada disso tem adiantado muito. Me surpreendi com uma pergunta nesse fim de semana. "Quem é a Dilma, pai?"

O que será que a moçada com seus 15 anos estão fazendo com a informação? Nunca se acessou tanto a Internet. A escala de crescimento de acessos da rede é geométrica, mas com certeza acesso é completamente diferente de aproveitamento, senão inversamente proporcional. São horas na frente de um computador, horas vazias, de lazer puro e simples, aculturado, acéfalo. Horas gastas com bate papos, redes de relacionamento de fofocas, postagem de fotos de festas, e por aí vai. A Internet está cheia de buracos negros, que estão carregando a moçada para lugar nenhum. Como diria o velho Obi-Wan Kenobi: Cuidado com o lado negro da força, Luke.

Mas enfim. É culpa da galerinha só se interessar pelo lixo eletrônico? Claro que não. A culpa é da mãe, do pai, da escola, de todo mundo que rodeia a molecada e olham pra eles exatamente só como molecada. Acho que às vezes nos esquecemos da importância de começar a trabalhar a base das coisas. Como é que poderemos querer que essa rapeizi, como diz o velho Lobo, se engaje em alguma coisa, que tenha responsabilidade ou comprometimento com uma causa que não seja o umbigo deles ou as festinhas do fim de semana, se não damos exemplo, não fornecemos material de análise crítica e deixamos simplesmente o barco correr. Há sim falta de interesse em aprender, preguiça da geração real time em pegar um livro, um jornal e ler uma matéria sobre economia, política, cultura. Mas há falta de preocupação e incentivo da gente, a rapeizi de cabelos brancos, em formar nossos filhos não só com a formação de boleto bancário das escolas particulares. Inclusive, quem sabe se nos preocuparmos um pouquinho mais em dar subsídios para essa galera, os filhos ou netos deles não precisem estudar em uma escola particular.

Muito se fala em revolução, em reação, em liberdade de imprensa em manipulação da informação. Não é questão só de formar a molecada na ideologia e mostrar qual é o jeito certo de se pensar. Até porque não existe jeito certo, existe as pessoas acreditam. Cada um sempre vai seguir o seu caminho, mas tem que ter subsídio para conseguir decidir o que quer seguir. Isso é importante para o país, para o futuro, para eles mesmos. Mas além dessa preocupação institucional que me bateu, comecei a pensar se alguém nessa faixa etária que não sabe quem é a Dilma ou o Serra, ou qualquer outra figura em voga no cenário, será que sabe como é que contrai HIV? Ou Dengue Hemorrágica? Como fazer para ajudar a desacelerar o aquecimento global, ou entender que aquele baseado maneiro vai contribuir pro balaço na cara de um amigo ou familiar em algum momento?

É. Acho que tá na hora da gente começar a pensar que para as coisas darem certo, também precisamos fazer por onde e não só esperar que elas dêem certo. Então, acho que tá na hora de parar de esperar e só cobrar e levantar o rabo da cadeira e colocar essa molecada pra pensar.

Menos MSN e mais política.
Menos Orkut e mais museus.
Menos televisão e mais ação.
Menos futilidade e mais atividade.

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