Tá bom. Quem conhece o Paulão? Ele está mais pra monstro do pântano do que pra príncipe encantado. Anos depois do último texto, resolvi escrever de novo e agora com um incentivo maior. Paulão tem uma nova amiga, bagaceira personificada, como diz a sua autora.
Sendo assim, tentamos de duas formas diferentes, cada qual com seu estilo, juntar os dois em uma história apenas. quem quiser conferir, é só rolar a telinha e procurar a história de Paulão e Ana nos blogs listados aqui ao lado.
Boa sorte para todos.....

Misto quente
A noite passava, a moçada que mora na rua arrumava os papelões e os jornais, os vira-latas já se aconchegavam atrás dos pontos de ônibus e em volta de seus donos vadios. Paulão tinha acabado de sair do Bar de um jeito não muito sóbrio, com o maço de cigarros esmigalhado dentro do bolso da calça. Parou na esquina, deu uma geral nos bolsos procurando um isqueiro, um fósforo e olhou em volta procurando uma revolução qualquer, que tivesse incendiando qualquer merda pra poder acender um cigarro. Não existia mais uma alma viva na rua pra pedir fogo e só existia um único cigarro dentro daquela chacina de tabaco que tinha acontecido no bolso da calça que tinha usado a semana inteira pra fatiar presunto no IML.
Paulão, velho de guerra, colocou o cigarro torto e amassado na boca e saiu vagando em busca do coquetel Molotov, parecia que só assim ia arrumar fogo naquele dia. Estava se sentindo dentro de um filme de velho oeste, mas não tinha feno voando, mas jornais eram descortinados pelos inquilinos das marquises da cidade. Paulão meteu a mão no bolso, olho no telefone, e viu que já passara da 1h da manhã. Não estava a fim de ir pra casa, então resolveu ligar pro bom e velho Mochila. Caixa Postal. Ligou pra Sabrina, Desligado. “Puta que pariu, pensou”. Começou a procurar um mendigo, um morador de rua, um traficante, uma puta, qualquer ser vivo que pudesse acender a merda do cigarro amassado antes que ele chegasse a casa. Mas pelo jeito que as coisas iam, tava bem difícil.
Virou a esquina e viu um tiozinho de 60 e poucos anos, com uma roupa da mesma idade e uma barba tricolor, digna de ir lavar em qualquer lava-jato automotivo. A garrafa de pinga em uma das mãos e qualquer coisa que não balançasse, na outra: parede, poste, vitrine, carro. Tudo que estivesse ao alcance da outra mão servia pra não enfiar a fuça no chão. Paulão viu a cena, teve um flashback de alguns momentos da vida e partiu pra cima do velhote.
O fedor da vida bêbada chegou antes. Era uma mistura de gasolina com mijo e fumaça com enxofre. Se o inferno tiver um cheiro, sabia que era exatamente aquele. “Cumpadi, me arruma um fogo aí?”. O velho parou, demorou uns 15 segundos até ajustar o foco e as idéias e respondeu: “Fogo? Só se for do inferno, meu filho. Cigaro faz mal.” E foi embora ignorando aquele momento de fissura. Paulão olhou pro velho, olhou pro cigarro amassado, deu uma coçada na cabeça e pensou se friccionasse a cabeça do velho no asfalto não conseguiria nenhuma faísca para acender o canceroso. Tava muito cansado pra arrumar confusão e o velho também não tinha feito nada demais, só bebido mais que ele.
E naquele momento que passou um carro. Desviou do velho profeta das trevas que se aventurava em ziguezague no meio da avenida e parou 100 metros da esquina onde Paulão estava. Pensou em sair correndo até o carro e pedir o isqueiro emprestado, mas ficou grilado de tomar um balaço ou de matar alguém do coração, então resolveu esperar e foi se aproximando devagar. Chegou mais perto do carro, mas ninguém saía daquela merda e a fissura só aumentava. Resolveu ver o que tava rolando e foi dar uma checada no panorama.
Não dava pra ver muita coisa. Mas que tinha alguém sendo feliz dentro do carro, tinha. Os vidros embaçados não deixavam dúvidas. A cena de amor urbana fez Paulão desistir do isqueiro com aquele carro e continuou andando pela calçada. A porta do carro abriu. Pensou que não rolava de pedir o fogo porque o casal poderia se assustar com a presença daquela figura surgindo do nada, quase embriagada e na alta madrugada. São combinações que geralmente assustam casais dentro de carros. Continuou andando, mas deu uma checada. A mina parecia que tinha saído de uma garrafinha de Yakult de tão amarrotado que tava o vestido. A cara vermelha denunciava a falta de prestobarba alheia e ausência de batom nos lábios. Mas não escondia a beleza. Paulão deu uma parada pra apreciar, ela olhou pra ele quando saiu do carro, teve o susto básico de um encontro surpresa e entrou no portão do prédio. Lá de dentro deu uma olhada pra trás, mas não deu muita moral. Parece que o esquema de dentro do carro estava muito interessante. Mais uma noite sem cigarro, sem mulher e provavelmente de ressaca.
Acordou com a cabeça bombando. Não por causa da ressaca, mas pela briga dos vizinhos porque o filho mais novo tinha quebrado alguma porra dentro de casa e ainda não estava pronto para o raio do colégio. Bateu na parede e deu um clássico bom dia: “Caralho, bando de filho da puta, dá pra calar a boca nessa merda?”. Já que estava acordado mesmo, resolveu sair mais cedo da toca úmida e de paredes finas pra tomar um café na padaria e seguir pro trampo. Na pia do banheiro, depois do banho clássico, viu que a escova de dente tinha a companhia de um cigarro retorcido da madrugada passada. Pegou o onco-bastão tacou atrás da orelha e saiu rumo à padaria para comer o mistão e o café com leite antes que aquela porra enchesse de famintos matutinos inveterados. Plugou o MP3 no ouvido e saiu cantarolando uma música do disco novo do Iggy Pop.
Indo pra padaria do Portuga, passou pela cenário da madrugada anterior. Olhou pro portão onde a Deusa tinha entrado e se lembrou da cena ridícula dele parado no meio da calçada, bebum feito um gambá e babando numa mina que tinha acabado de largar o namorado no carro e estava entrando em casa. Podia fácil arrumar uma confusão com camarada. Mais fácil ainda, a mina gritar e chamar a polícia, porque o pé grande retardado tava ali estático, sem falar nada e secando a gostosa no meio da madrugada. Deu uma risada e seguiu pra padoca.
Tava ali curtindo aquele som estranho, do velho e esquelético Iggy, e esperando o rango, quando sentiu um cheiro estranho. Não era suor, fumaça de churrasquinho ou qualquer outra merda que estava acostumado a sentir ali, naquela hora do dia. Olhou pra trás e antes de virar o pescoção viu aquela boca mexendo. Na mesma hora arrancou os fones do ouvido é só entendeu que o que ela tinha falado terminava em dia. “Ahn?”, perguntou. Ela deu um riso. “Não falei nada, só disse bom dia”. Será que o leite tava estragado, ou a vodka do dia anterior tava batizada?, pensou. A mina linda, do meio da rua, que morava dentro da garrafinha de Yakult, tava ali na mesma padaria de manhã cedo. Depois de alguns segundos de retardo e síndrome de babaca petrificado, respondeu com alto estilo. “Opa!”. Opa? Queria enfiar a cabeça naquele balde de leite quente que tava esquentando lá no Portuga.
Ela estava em pé no balcão quando o Mochila, um dos melhores amigos do Paulão, chegou e já soltou a pérola. “Fala, meu velho. Tá bem pra caralho, hein! Trazendo a mocinha pra tomar café no Portuga.”. Respirou fundo, procurou a faca mais próxima pra enfiar na garganta do Mochila. “Cala a boca, Mochila. A mina não tem nada a ver comigo não. O que você come de noite que já acorda falando merda?”. Naquele momento viu o canto de olho da mulher dos vestidos amassados se esticando pro papo cabeça de vento. “Porra Paulão. Se não tá contigo, então vou me apresentar. É de babar.”. Nesse momento pediu pro butijão de gás da padaria explodir ou alguma merda inusitada acontecer e matar todo mundo ali, porque a mina tinha ouvido a cagada e virou pra direção deles. Mochila murchou, fingiu que tinha recebido uma ligação na bosta do celular que sempre caía na caixa. “Tudo bem? Já que vocês querem me conhecer, sou a Ana”. Esticou a mão. Paulão olhou pro Mochila e pensou em pelo menos 10 formas diferentes de dissecar um corpo antes de segurar a mão da Ana. “E aí Ana, beleza? O bicho ali é meio retardado, mas não liga não. Ele não fala as coisas por mal não, eu sou o Paulão.” Ela odiava apelidos, mas naquele momento não podia fazer nenhuma gracinha, porque já tinha sido um pouco ousada de sair em busca de conhecer aquela figura inusitada que tinha visto na madrugada anterior. Deu um sorriso amarelado e mandou uma pesada: “Paulão? Por quê homens têm mania de colocar apelido. Eu não gosto de Paulão. Prefiro Paulo”.“Pô, mina. Legal que tu prefere Paulo. Por mim, pode me chamar até de Clotilde?. Manda qualquer nome aí que tá valendo.” Ela deu uma risada e disse “Ok, Paulo-Paulão. Eu sou a Ana, Ana Bolena”.
Paulão, velho de guerra, colocou o cigarro torto e amassado na boca e saiu vagando em busca do coquetel Molotov, parecia que só assim ia arrumar fogo naquele dia. Estava se sentindo dentro de um filme de velho oeste, mas não tinha feno voando, mas jornais eram descortinados pelos inquilinos das marquises da cidade. Paulão meteu a mão no bolso, olho no telefone, e viu que já passara da 1h da manhã. Não estava a fim de ir pra casa, então resolveu ligar pro bom e velho Mochila. Caixa Postal. Ligou pra Sabrina, Desligado. “Puta que pariu, pensou”. Começou a procurar um mendigo, um morador de rua, um traficante, uma puta, qualquer ser vivo que pudesse acender a merda do cigarro amassado antes que ele chegasse a casa. Mas pelo jeito que as coisas iam, tava bem difícil.
Virou a esquina e viu um tiozinho de 60 e poucos anos, com uma roupa da mesma idade e uma barba tricolor, digna de ir lavar em qualquer lava-jato automotivo. A garrafa de pinga em uma das mãos e qualquer coisa que não balançasse, na outra: parede, poste, vitrine, carro. Tudo que estivesse ao alcance da outra mão servia pra não enfiar a fuça no chão. Paulão viu a cena, teve um flashback de alguns momentos da vida e partiu pra cima do velhote.
O fedor da vida bêbada chegou antes. Era uma mistura de gasolina com mijo e fumaça com enxofre. Se o inferno tiver um cheiro, sabia que era exatamente aquele. “Cumpadi, me arruma um fogo aí?”. O velho parou, demorou uns 15 segundos até ajustar o foco e as idéias e respondeu: “Fogo? Só se for do inferno, meu filho. Cigaro faz mal.” E foi embora ignorando aquele momento de fissura. Paulão olhou pro velho, olhou pro cigarro amassado, deu uma coçada na cabeça e pensou se friccionasse a cabeça do velho no asfalto não conseguiria nenhuma faísca para acender o canceroso. Tava muito cansado pra arrumar confusão e o velho também não tinha feito nada demais, só bebido mais que ele.
E naquele momento que passou um carro. Desviou do velho profeta das trevas que se aventurava em ziguezague no meio da avenida e parou 100 metros da esquina onde Paulão estava. Pensou em sair correndo até o carro e pedir o isqueiro emprestado, mas ficou grilado de tomar um balaço ou de matar alguém do coração, então resolveu esperar e foi se aproximando devagar. Chegou mais perto do carro, mas ninguém saía daquela merda e a fissura só aumentava. Resolveu ver o que tava rolando e foi dar uma checada no panorama.
Não dava pra ver muita coisa. Mas que tinha alguém sendo feliz dentro do carro, tinha. Os vidros embaçados não deixavam dúvidas. A cena de amor urbana fez Paulão desistir do isqueiro com aquele carro e continuou andando pela calçada. A porta do carro abriu. Pensou que não rolava de pedir o fogo porque o casal poderia se assustar com a presença daquela figura surgindo do nada, quase embriagada e na alta madrugada. São combinações que geralmente assustam casais dentro de carros. Continuou andando, mas deu uma checada. A mina parecia que tinha saído de uma garrafinha de Yakult de tão amarrotado que tava o vestido. A cara vermelha denunciava a falta de prestobarba alheia e ausência de batom nos lábios. Mas não escondia a beleza. Paulão deu uma parada pra apreciar, ela olhou pra ele quando saiu do carro, teve o susto básico de um encontro surpresa e entrou no portão do prédio. Lá de dentro deu uma olhada pra trás, mas não deu muita moral. Parece que o esquema de dentro do carro estava muito interessante. Mais uma noite sem cigarro, sem mulher e provavelmente de ressaca.
Acordou com a cabeça bombando. Não por causa da ressaca, mas pela briga dos vizinhos porque o filho mais novo tinha quebrado alguma porra dentro de casa e ainda não estava pronto para o raio do colégio. Bateu na parede e deu um clássico bom dia: “Caralho, bando de filho da puta, dá pra calar a boca nessa merda?”. Já que estava acordado mesmo, resolveu sair mais cedo da toca úmida e de paredes finas pra tomar um café na padaria e seguir pro trampo. Na pia do banheiro, depois do banho clássico, viu que a escova de dente tinha a companhia de um cigarro retorcido da madrugada passada. Pegou o onco-bastão tacou atrás da orelha e saiu rumo à padaria para comer o mistão e o café com leite antes que aquela porra enchesse de famintos matutinos inveterados. Plugou o MP3 no ouvido e saiu cantarolando uma música do disco novo do Iggy Pop.
Indo pra padaria do Portuga, passou pela cenário da madrugada anterior. Olhou pro portão onde a Deusa tinha entrado e se lembrou da cena ridícula dele parado no meio da calçada, bebum feito um gambá e babando numa mina que tinha acabado de largar o namorado no carro e estava entrando em casa. Podia fácil arrumar uma confusão com camarada. Mais fácil ainda, a mina gritar e chamar a polícia, porque o pé grande retardado tava ali estático, sem falar nada e secando a gostosa no meio da madrugada. Deu uma risada e seguiu pra padoca.
Tava ali curtindo aquele som estranho, do velho e esquelético Iggy, e esperando o rango, quando sentiu um cheiro estranho. Não era suor, fumaça de churrasquinho ou qualquer outra merda que estava acostumado a sentir ali, naquela hora do dia. Olhou pra trás e antes de virar o pescoção viu aquela boca mexendo. Na mesma hora arrancou os fones do ouvido é só entendeu que o que ela tinha falado terminava em dia. “Ahn?”, perguntou. Ela deu um riso. “Não falei nada, só disse bom dia”. Será que o leite tava estragado, ou a vodka do dia anterior tava batizada?, pensou. A mina linda, do meio da rua, que morava dentro da garrafinha de Yakult, tava ali na mesma padaria de manhã cedo. Depois de alguns segundos de retardo e síndrome de babaca petrificado, respondeu com alto estilo. “Opa!”. Opa? Queria enfiar a cabeça naquele balde de leite quente que tava esquentando lá no Portuga.
Ela estava em pé no balcão quando o Mochila, um dos melhores amigos do Paulão, chegou e já soltou a pérola. “Fala, meu velho. Tá bem pra caralho, hein! Trazendo a mocinha pra tomar café no Portuga.”. Respirou fundo, procurou a faca mais próxima pra enfiar na garganta do Mochila. “Cala a boca, Mochila. A mina não tem nada a ver comigo não. O que você come de noite que já acorda falando merda?”. Naquele momento viu o canto de olho da mulher dos vestidos amassados se esticando pro papo cabeça de vento. “Porra Paulão. Se não tá contigo, então vou me apresentar. É de babar.”. Nesse momento pediu pro butijão de gás da padaria explodir ou alguma merda inusitada acontecer e matar todo mundo ali, porque a mina tinha ouvido a cagada e virou pra direção deles. Mochila murchou, fingiu que tinha recebido uma ligação na bosta do celular que sempre caía na caixa. “Tudo bem? Já que vocês querem me conhecer, sou a Ana”. Esticou a mão. Paulão olhou pro Mochila e pensou em pelo menos 10 formas diferentes de dissecar um corpo antes de segurar a mão da Ana. “E aí Ana, beleza? O bicho ali é meio retardado, mas não liga não. Ele não fala as coisas por mal não, eu sou o Paulão.” Ela odiava apelidos, mas naquele momento não podia fazer nenhuma gracinha, porque já tinha sido um pouco ousada de sair em busca de conhecer aquela figura inusitada que tinha visto na madrugada anterior. Deu um sorriso amarelado e mandou uma pesada: “Paulão? Por quê homens têm mania de colocar apelido. Eu não gosto de Paulão. Prefiro Paulo”.“Pô, mina. Legal que tu prefere Paulo. Por mim, pode me chamar até de Clotilde?. Manda qualquer nome aí que tá valendo.” Ela deu uma risada e disse “Ok, Paulo-Paulão. Eu sou a Ana, Ana Bolena”.
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