
Depois de um fim de semana fechado num escritório terminando um trabalho cansativo, hoje estou aqui na minha cama, sem dormir. Acordei meio dia e ainda dormi parte da tarde de hoje. Sinal que realmente estava cansado e que não sou mais o mesmo. Acho que é a idade que chega e não alivia.
Acabei de achar um site que é uma rede de livrarias e sebos, chamado estante virtual. Um tanto quanto interessante se a proposta realmente funcionar. Pelo jeito, funciona. Encontrei um livro do fante com a tradução do Leminski que nunca achava em lugar nenhum. Viva a tecnologia. Mas e o charme de entrar em sebos e ficar garimpando coisas e descobrindo outras? Acho que o charme das coisas vai desaparecendo mesmo com o tempo. Conseguiram matar até o charme de procurar livro? Agora é só digitar o nome que pum.... lá está o raios do livro. Mete o número do cartão de crédito e compra e pronto, acabou a missão. Estranho né?
o que será das próximas gerações? A evolução é uma coisa normal, eu sei. Não sou nada antiquado e adoro as facilidades do dia a dia. Amo meu iPhone e TV via satélite. Mas algumas coisas têm que ter seu charme. Até ser corno não tem mais o charme que tinha antes. Antes tinha que contratar detetive que demorava séculos pra descobrir um caso extra-conjugal, tirar fotos comprometedoras e tudo o que está relacionado nessa baixaria familiar. Mas hoje, com uma ligação isso tá resolvido. em 10 minutos se sabe onde a pessoa está e por onde ela passou o dia inteiro. E o mais escroto de tudo, que é possível receber as coordenadas por email. Parece piada. Trepada monitorada por satélite.
Bem, como em tudo, essa modernidade toda tem as coisas boas e as ruins, normal. Mas ainda fico preocupado com a facilidade extrema e a rapidez de resultados. Tenho certeza que na geração www teremos muito mais pessoas com crises de ansiedade, agoniadas e stressadas, porque hoje a informação chega rápido demais, tudo gira muito rápido e não dá nem tempo de ficar velho pra já aparecer algo que tome o lugar. Informação, novidades, estatísticas, notícias, novidades tecnológicas, música, clipes, filmes, protestos, blogs, fotos, redes comunitárias, tudo é muito e tudo é rápido. Quase impossível de acompanhar.
É. Acho que nesse momento bateu a inveja e a compreensão do rapaz latinoamericano. Que mal tem se isolar no cú do mundo do Uruguai? E me vem uma repórter lá da China pra achar o cara? O quê raios eu tenho a ver com a vida dele? A necessidade de novidade de satisfazer o público acaba estrapolando limites e fazendo com que as pessoas percam a noção do que é certo, do que é errado. É certo caçar algué em outro país apenas pra colocar no último bloco de uma revista eletrônica de quinta categoria?
A entrevista foi um fiasco porque o cara simplesmente deu uma de vaselina e não responde nada que queriam saber. Mandou muito bem. Mas me faz pensar o que as pessoas são capazes de fazer para atingir os objetivos. E pra quê servem esse objetivos? Dar um furo de repotagem significa invadir a privacidade de uma pessoa a ponto de ir na casa dela? Não bastava notociar que o cara tava no Uruguai e pronto? Tem mesmo que ir lá, bater à porta, deixar a câmera ligada do lado de fora esperando a porta abrir pra tentar fazer uma imagem flagrante? Isso deixou de ser jornalismo há muuuuito tempo. Passou a ser uma busca pessoal, passou a ser uma encomenda de um produto para atrair público. Ou seja: um produto publicitário.
Mas então. Do que somos capazes para atingir nossos objetivos? E quais são esses objetivos? Vale realmente a pena passarmos horas longe das pessoas que gostamos, sacrificando nossa saúde e bem estar para ganhar dinheiro? Ou será que vale a pena mentir, para garantir um status quo e quando apaga a luz, realmente revelar quem somos? Tô cansade de ver gente pregando de santo em horário comercial e se transformar em filho da puta quando não tem ninguém olhando. E tem gente pra caralho assim. Afirmo que a maioria das pessoas, diga-se de passagem.
Não tô dizendo que sou santo e que não faço nada errado. Já fiz coisa errada pra cacete, mas procuro aprender. Hoje não sou capaz de fazer algo que atrapalhe ou que interfira a vida de alguém. De coisas simples como ligar depois das dez a tratar bem as pessoas que considero (e até as que não considero muito) porque tenho certeza que é assim que eu gostaria de ser tratado.
Hoje estamos enfiados até o tampo da cabeça num mundo de mentira. Nego mente pra tudo. Desde a política até maridos e mulheres. Esse fim de semana pude presenciar a fraude em uma eleição dentro de um evento social, onde não tinha dinheiro envolvido. Imagina se tivesse. Se é pra levar vantagem, hoje vale tudo. E eu não quero levar vantagem em nada. Só quero ficar no meu canto com as coisas e pessoas que gosto, sem ninguém me encher o saco. Mentir pra manter a carinha de anjo e ser uma puta quando todo mundo vira as costas. Mentir dizendo que se proeocupa como próximo e não fazer absolutamente nada para ajudar nenhuma alma viva. Mentir pros filhos dando lição de moral e socar a cara da mãe quando chega bêbado em casa. Se eu ficar enumerando exemplos aqui, só saio daqui de manhã cedo.
Sei que estou cansado disso. Estou cansado de gente que mente, de gente falsa, de gente que não consegue olhar pra lugar nenhum além do seu próprio rabo. Não sei se isso é apenas uma fase, mas só sei que estou nela. E pra variar quando penso nisso fico de mal-humor, então, como eu não gosto de mentir, é melhor não me encher o saco ou não vir de firulinha pra cima de mim, porque o sistema aqui é meio bruto, curto e grosso. Mas continuo com inveja do Belchior.
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