Christopher McCandless
O que é preciso fazer para mudar a natureza humana? Será que já mudamos ou o que somos hoje é exatamente o que sempre fomos? Ter uma mente consciente e raciocinar sempre foi colocado nos livros como uma característica superior aos outros bichos. Seres inferiores. Será?
Nunca vi um cachorro espancar o seu filhote, nem muito menos abandoná-lo. Da mesma forma, não tive notícia ainda de um leão que maltrata a leoa. Nós falamos de respeito, de sociedade, de moral. Baboseira pura. Convenções demarcadas por interesses escusos e humanos. Ninguém precisa pensar pra saber o que é certo ou errado. Todos nós sabemos muito bem a diferença entre os dois, mas teimamos em ter que pensar, raciocinar, analisar e escolher. Não importa o que é certo e o que é errado, mas sim o que a gente acha que será melhor pra gente, sem se importar com os outros, com as consequências que isso pode trazer.
Hoje, tenho certeza de que a evolução, a sociedade, as convenções só vieram pra bagunçar tudo, pra tirar a gente das nossas raízes não civilizadas. Quem gosta de rir quando não está feliz e quem gosta de se fingir de triste quando não está? Não conheço nenhuma pessoa normal que faça isso. Eu não sou normal, sou civilizado. Fui pra escola e aprendi com os adultos a me tornar um deles. Acordo todo dia e vou trabalhar, ganhar dinheiro, defender meus interesses. Bosta de interesses. Os meus não significam nada, mas numa escala geométrica de crescimento esses interesses, civilizados e humanos, são os que causam guerras, que matam pessoas e que deixam gente sem comida ou doente. Tudo isso porque alguém tem um maior, um interesse que aquilo deve acontecer para um objetivo ser atingido.
Eu, Eduardo. Sou grande, dizem que sou inteligente e atraente. E daí? Também já me disseram que sou violento, que dou medo e que assusto as pessoas quando quero. Eu nunca quero assustar ninguém. Quer dizer, ninguém que seja próximo a mim. Será que é difícil de entender isso? Não adianta insistir por mais tosco que eu demosntre ser às vezes. Eu sou do bem. A única coisa que quero é viver em paz e poder confiar nos outros. Não quero pensar antes de falar e não quero desconfiar quando ouvir. Nada de raciocínio. Nada de civilidade. Quero só voltar a ser um bicho normal, simples. Como aquele que nasceu há 32 anos atrás e só tinha instinto, só dependia da natureza para sobreviver.
Sem hipocrisia. Não sabemos nada sobre a vida, muito menos sobre a morte, que chega assim, como uma tempestade de verão. O dia ensolarado pode se transformar numa tormenta que atormenta e arrebenta com tudo à sua volta. O que fazer então para tentar aprender um pouco mais de como viver de uma forma mais simples, menos angustiante? Analisando friamente, acho que a situação se iguala a um viciado em crack ou metanfetamina. Não tem mais volta. Tudo já está estabelecido e os que rompem essa barreira ficam à margem e ganham apelidos carinhosos como malucos-beleza, doidos, pirados, coo-coo. Triste conclusão.
De vez em quando é preciso voltar de onde se veio. É preciso contar apenas com seus instintos para ver o que acontece. Não é nada simples coviver apenas com eles, suas defesas naturais, biomecânicas. Mesmo quem sabe, sempre sai com um roxo ou um vermelho na costela. Imagina quem não sabe. Todos nós estamos precisando de um pouco mais de naturalidade, de sair de casa sem armaduras e se tiver algum problema encarar de peito aberto. No braço mesmo. De vez em quando é importante sentir no próprio couro como a porrada chega. Quem sabe assim a gente tem idéia do que é dor de verdade e se sente um pouco mais vivo. Sem especulações, sem jogos de intrigas, sem mind games. Só carne crua mesmo.
Adoro ver os bichos, imaginar em que eles estão pensando. De cima da minha superioridade humana, acho que eles têm que estar pensando em algo. Não, definitivamente, não. O cachorro não pensa em nada quando ele vem te fazer carinho ou quando vem te pedir afagos. Ele simplesmente vem, porque quer e não porque depois vai ganhar comida. Um cidadão brasileiro chamado Vinícius de Moraes uma vez falou que o whisky era o cachorro engarrafado. Foi a melhor definição de amparo, de colo que eu já pude ouvir. O cachorro está sempre lá e o whisky sempre ajuda a apagar o que não deveria estar lá. Fico com os cachorros porque a ressaca de whisky não me faz muito bem.
E por falar em Vinícius, me parece que em algum momento da vida ele se encontrou, cansou de tudo o que convencionaram para ele: educado, diplomata, intelectual. Em algum momento dentro daquela cabeça as coisas entraram em conflito e a necessidade de ser Vinícius, falou mais forte. Porque se alguém conhece uma pessoa mais espontânea do que ele, por favor me apresente. Muitos dizem que ele era um fanfarrão, que não respeitava suas mulheres (foram 9 oficiais), que não ligava para a família...
Comportamento esperado, casamento e família. A base que todos esperam de uma pessoa normal, padrão. Henry Ford ia adorar essa linha de produção. O cara era simplesmente um apaixonado pela vida. Quis viver com suas vontades de perto, acompanhando cada mudança, cada novo acontecimento em seu coração, em sua vida. Intensidade. E viveu o que quis. Morreu feliz? Claro que não, porque imagino que o objetivo da vida dele não era ser feliz, e sim buscar a felicidade daquela uma forma ingênua, primária, sem pretensões, sem Maquiavel. O mundo de hoje não é um mundo pra quem quer viver assim. Vinícius morreu no seu tempo, na hora que deveria. Não iria suportar essa corrida pelo ouro, essa busca a coisa nenhuma e a falta de preocupação entre os civilizados. Humanos.
Vinícius morreu no Rio, Christopher McCandless, no Alasca.
Nunca se conheceram, nunca ouviram falar um do outro, mas têm algo muito em comum. Os dois viveram a vida como escolheram e como acreditavam que ela deveria ser. Buscaram respostas. Se encontraram, nunca vamos saber, porque para nós civilizados e superiores resta interpretar o que eles fizeram por eles ou por nós.
Os que me conhecem bem sabem que minha cabeça não pára, ela está sempre moendo as idéias e fazendo sinapses lisérgicas a todo momento. Só isso explica sair da natureza humana e terminar em Vinícius de Moraes e ouvir um ícone do Grunge de Seattle e conseguir terminar o texto com uma letra de música que une todo mundo.......
É. Às vezes até acho que as diversidades podem não existir e que tudo tem um ponto de intersecção. Mas pena que essa impressão passa rápido....
Guaranteed, by Eddie Veder
On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...
Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...
Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...
Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...
Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...
Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed.
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed.

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